Apicultura - doenças da cria das abelhas e tratamento

As abelhas Apis mellifera estão sujeitas a várias doenças, as quais geralmente acarretam sérios prejuízos à apicultura

As doenças da cria atacam e matam larvas em estado prematuro ou avançado. Foto: reprodução.

Quanto ao processo de produção, manejar um apiário móvel (migratório) tem poucas diferenças de manejar um apiário fixo. A diferença está no grau de intensificação desse manejo, em que a intervenção do apicultor acontece mais vezes. O manejo tem como principal objetivo: oferecer facilidade para a produção, evitar enxameação, garantir a presença de uma rainha em plena postura, controlar doenças e ataques de predadores e fazer a colheita no momento certo, analisando a possibilidade de mais de uma colheita em uma mesma florada.

“As abelhas Apis mellifera estão sujeitas a várias doenças, as quais geralmente acarretam sérios prejuízos à apicultura. Os agentes etiológicos (causadores) destas são bactérias, vírus, fungos, protozoários e ácaros”, afirma o Professor Paulo Sérgio Cavalcanti Costa, do curso Apicultura Migratória, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas.

Doenças da cria ou larvas
São doenças que atacam e matam apenas larvas em estado prematuro ou avançado, contribuindo seriamente para o enfraquecimento da colônia de abelhas, provocando o desequilíbrio populacional e prejudicando a produção, chegando, às vezes, ao extermínio completo da colônia.

Cria pútrida europeia
O agente causador desta doença é uma bactéria gram-positiva, anaeróbia para microaerofila, denominada Melissococus pluton. Esta não forma esporos, porém, pode permanecer viável no favo, até três anos, podendo causar novas reinfecções nos anos seguintes. A morte da larva se dá por inanição, devido ao M. pluton que compete por alimentos no intestino da larva, atacando a membrana peitiófica. Ocorre também a ação de bactérias secundárias como: Bacterium enrydice, Bacilus alvei, Streptococus faecalis e Bacillus lateroporus.

Sintomas

- Os favos contendo crias infectadas apresentam-se falhados, devido à remoção das crias mortas pelas operárias (comportamento higiênico);
- A ausência de crias com idade de três a cinco dias pode ser um indício da presença desta doença, caso a rainha não tenha morrido, o que é facilmente verificado pela ausência da realeira;
- A coloração das larvas doentes varia de amarelo-pardo até marrom-escura. A morte é acompanhada de um cheiro pútrido forte, que se espalha por toda a colmeia. Nesse estádio, as larvas se convertem em um líquido viscoso marrom-escuro, que seca rapidamente, formando uma crosta escura colada na parede da célula.

Tratamento
O tratamento desta doença é feito à base de antibióticos comuns e facilmente adquiridos no mercado, com base em receitas obtidas em livros estrangeiros. Os antibióticos mais usados pelos apicultores são a Terramicina TM-25 ou Estreptomicina, Auremicina e Tetraciclina, de uso humano ou veterinário. A recomendação que se segue abaixo é simplesmente uma extrapolação da receita desses livros. No caso da Terramicina, usa-se uma colher de sopa bem cheia do antibiótico misturado a 1 ½ quilo de açúcar de confeiteiro. Depois de bem misturado, o apicultor deve polvilhar ou espalhar sobre os quadros, cerca de quatro colheres de sopa por colmeia. Pode-se também diluir o antibiótico em três litros de xarope 50%, porém, quando este estiver frio (em torno de 32ºC), o xarope contendo o antibiótico (cerca de 300 mL) deve ser colocado em alimentadores, preferencialmente internos. Já a Estreptomicina pode ser diluída também em xarope 50%, na proporção de um grama de Estreptomicina para 3,5 litros de xarope. O tratamento deve ser feito, inicialmente de 2 em 2 dias, na primeira semana, e de 3 em 3 dias, na segunda semana. Caso não desapareçam os sintomas, o apicultor deve consultar um laboratório de patologia apícola. Esse tratamento não deve ser feito em épocas de grandes floradas, pois pode contaminar o mel. Caso haja necessidade de ser feito, não se recomenda a utilização do mel para consumo humano, exceto em caso de se comprovar a ausência de resíduos do antibiótico no mel.

Cria pútrida americana
O agente causador é uma bactéria gram-positiva, denominada Paenebacillus larval. Possui dois estágios: um vegetativo, durante o qual ela se reproduz, principalmente dentro do intestino da larva;  e o estágio de esporos altamente resistente às condições adversas do meio, sendo o responsável pela dificuldade de extermínio de controle dessa doença.

Sintomas
- Os favos contendo crias doentes apresentam-se com muitas falhas;
- Os operários da célula aparecem afundados e perfurados;
- As crias infectadas normalmente morrem na fase de pré-pupa ou pupa, quando já estão operculadas;
- Apresentam coloração, que vai de marrom-clara até marrom-escura;
- Apresentam consistência viscosa e, quando estão em estágios mais avançados, o favo tem cheiro pútrido característico, lembrando o cheiro de cola de madeira aquecida;
- Quando a morte ocorre no estágio de pupa, a posição da língua para fora é uma característica importante.

Tratamento
Nos Estados Unidos da América, várias drogas já foram testadas, mas nenhuma conseguiu erradicar efetivamente a doença. O método mais eficaz consiste em queimar as colônias.

Cria ensacada
Esta doença é causada por um vírus, que tem sido estudado por métodos bioquímicos e por microscopia eletrônica, porém a sua classificação é incerta, parece a doença causada pelo vírus SBV, acreditando, alguns autores que possa ser TSBV.

Sintomas
- Os favos com cria também se apresentam falhados e as células operculadas com crias mortas geralmente aparecem furadas;
- A morte da cria acontece na fase de pré-pupa ou pupa, portanto, quando a célula já está operculada;
- O favo não apresenta cheiro pútrido, pois as crias mortas são relativamente livres de bactérias;
- Geralmente, a cria morre na fase de pré-pupa e observa-se, antes de sua morte, a ocorrência de um acúmulo de líquido entre a pele da pré-pupa e da pupa, fazendo com que a cria doente tenha aspecto de um “saco”, quando puxado para fora da célula;
- O vírus é incapaz de sobreviver mais que três semanas nos restos de larvas mortas ou no mel;
- A doença é estacional, ocorrendo em países de clima temperado, no início do verão. No Brasil, existem casos registrados nos meses de outubro a fevereiro;
- A transmissão do vírus, dentro de uma mesma colônia, de um ano para outro, é explicada como sendo via ovaríolos ou por meio de abelhas geneticamente susceptíveis, aparecendo os seus sintomas justamente em um período quando a taxa de larvas para adultas torna-se alta, sendo o comportamento higiênico menos eficiente, nesse período, o que acarreta o aparecimento de crias com os sintomas.

Tratamento
Não existe um tratamento com drogas eficazes para esta doença. Recomenda-se prender a rainha por alguns dias, até que as operárias possam remover as crias mortas. Como a infecção parece ocorrer em colônia de abelhas geneticamente susceptíveis, é aconselhável substituir a rainha por outra proveniente de uma colônia que não tenha tido anteriormente a doença.

Quando atacada pela doença, as paredes da colmeia podem ser desinfectadas com o uso de ácido fênico 60%, pulverizando o material e colocando-se, em seguida, por um longo tempo no sal

Quando atacada pela doença, as paredes da colmeia podem ser desinfectadas com o uso de ácido fênico 60%, pulverizando o material e colocando-se, em seguida, por um longo tempo no sal.

Cria giz e cria pedra
Estas duas doenças são causadas por fungos. No caso de cria giz, o agente causador é denominado Ascophaera apis, e no caso da cria pedra, o agente primário é o Aspergillus flavus, o qual pode ser patogênico também para abelhas adultas.

Sintomas
- Geralmente, a morte da cria ocorre quando as duas células estão operculadas;
- Crias mortas pelo Ascophaera apis são geralmente cobertas por filamentos fofos semelhantes ao algodão. Se o fungo produz esporos, a cria doente torna-se cinzenta ou preta;
- No caso da cria pedra, a cria torna-se esverdeada e com uma textura dura, que caracteriza o nome da doença.

Tratamento

Não existe uma droga que possa ser utilizada. No acaso de se encontrar um ou mais quadros com crias doentes, recomenda-se substituí-los por outros limpos, queimando-os em seguida. Essas doenças podem ser transmitidas pelas abelhas adultas, por equipamentos contaminados com os esporos. A doença raramente destrói uma colônia, mas pode reduzir a população das abelhas e, consequentemente, afetar a produção de mel, em países em que estas doenças apareçam com mais frequência. As partes de madeira da colmeia, quando substituídas, podem ser desinfectadas com o uso de ácido fênico 60%, pulverizando o material e colocando-se, em seguida, por um longo tempo no sal. Quanto às crias mortas, as operárias se encarregam de removê-las e a doença passa despercebida ao apicultor.

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Leia outro artigo relacionado ao tema: Apicultura - tratamento das doenças das abelhas adultas e parasitas das colônias.

Por Andréa Oliveira.

 

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Comentários

Altafo Abdula fernando

17 de set de 2017

Escreva o seu comentário...muito bom amigos

Resposta do Portal Cursos CPT

18 de set de 2017

Olá, Altafo.

Agradecemos sua visita e comentário em nosso site. Ficamos felizes que tenha gostado do nosso conteúdo.

Atenciosamente,

Renato Rodrigues.

john carlos

18 de out de 2016

Olá! Sou John Carlos, técnico em agropecuária, os cursos oferecidos pelo CPT são muito bons, inclusive os de planejamento e implantação de apiários.

Resposta do Portal Cursos CPT

18 de out de 2016

Olá John Carlos,

Ficamos muito felizes que goste dos nossos cursos a distância.

Atenciosamente,

Ana Carolina dos Santos

Angelo guiselli

12 de ago de 2013

Gostei mto da matéria acima. Gostaria de saber se existe algum repelente p formiga correição? E tbm o que pode deixar a colmeia após o abandono das abelhas com cheiro de desinfetante laranja ou cítrico? Att Angelo.

Resposta do Portal Cursos CPT

13 de ago de 2013

Olá, Ângelo!

Agradecemos sua visita e comentário em nosso site.

Para proteger as colmeias diretamente do ataque das formigas correição, devemos: manter o terreno em volta do apiário sempre limpo e, de preferência, gramado; colocar os pés das colméias dentro de recipientes com óleo, para as formigas não subirem por eles, mas protegendo a parte de cima, para que as abelhas não caiam no óleo; amarrar estopas impregnadas de óleo, em cada pé e a 20cm do solo mas com uma proteção em cima, como isoladores tipo funil, em cada pé da colméia.

Em relação ao cheiro da colmeia, este é um odor típico da colônia (cheiro de mel, da cera, das abelhas).

Atenciosamente,

Ana Carolina dos Santos

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