Meliponário de abelhas sem ferrão: como implantar

A criação de abelhas sem ferrão e a sua exploração racional, podem contribuir para a preservação das espécies e dar ao meliponicultor oportunidade de obter mel

Melipolinario


 

O mel produzido pelas abelhas sem ferrão apresenta, de maneira geral, quase  todas  as  características  físico-químicas  atendendo  aos  padrões exigidos pela legislação brasileira, que é baseada no mel da Apis mellifera. A criação dessas abelhas e a sua exploração racional, podem contribuir para a preservação das espécies e dar ao meliponicultor oportunidade de obter mel.

Segundo Dr.ª Ana Maria Waldschmidt, professora do Curso CPT a Distância Criação de Abelhas Nativas sem Ferrão - Uruçu, Mandaçaia, Jataí e Iraí, em Livro+DVD e Curso Online, “Um conjunto de colmeias agrupadas formará um meliponário. Um centro de criação, com proximidade das colmeias, facilitará o manejo, permitindo que as abelhas sem ferrão sejam criadas com maior eficiência”. O local deve contar com algumas características determinantes para o sucesso da meliponicultura.

I- Onde instalar o meliponário?


 

- O meliponário deve ser localizado, de preferência, próximo de residências, em um terreno limpo, apoiado em bases fixas. Também pode ser pendurado no alpendre da casa ou em galpões, ficando sempre livre de predadores.
- Dê preferência a locais próximos de residências para evitar roubos.
- Não instalar o meliponário em montanhas ou morros para não desgastar as abelhas, prolongando o seu tempo de vida.
- Instale o mais próximo possível das floradas apícolas.
- Não escolha locais próximos de estradas, evitando, assim, o excesso de movimentos e poeiras.
- É aconselhável cercar o meliponário, o que dificulta o ataque de outros animais.

Instalar as caixas em bases individuais ou coletivas, distanciadas de 0,50 m a 2 m, de acordo com a espécie. Preferencialmente, pintar as caixas com colorações diferentes, mantendo a 50 cm do chão com proteção contra inimigos.

II- Sombreamento


 

- As caixas devem contar com proteção contra o calor excessivo, seja com sombra proveniente de árvores ou telhados. A proteção contra o calor tem como principal objetivo evitar a mortalidade de crias. Isso permite manter uma temperatura adequada a maior movimentação das abelhas durante todo o período do dia.
- Meliponários sombreados por vegetação são mais adequados por manter uma temperatura adequada ao bom desenvolvimento da família.
- Evite árvores que dão frutos pesados como jaca, abacate, manga, laranja entre outras. A queda de frutos grandes poderá danificar as colmeias.

III- Ventos


 

- Ventos fortes prejudicam o voo e podem causar perda de calor na área das crias. Utilizar plantas quebra-ventos como bambu, eucalipto, sabiá.
- A planta popularmente conhecida como “coroa de cristo” poderá ser plantada ao lado das cercas divisas da propriedade, além das flores serem apreciadas pelas abelhas sem ferrão, os espinhos impedem a invasão de intrusos.
- Devemos evitar locais com correntes de ar frio que provoquem o resfriamento das caixas e morte das crias.
- Não devemos escolher locais de lançamentos de agentes poluentes, assim como lugares que fazem uso de produtos e defensivos químicos.

IV- Água potável


 

- A água deve ser potável, corrente e próxima ao meliponário.
- Quando for necessário um bebedouro para as abelhas – no caso de regiões secas – o melhor é fazer, no meliponário, um tanque de cimento com as bordas levemente inclinadas. O tanque deve ter entre 25 e 30 cm de profundidade, 40 a 60 cm de extensão com 20 a 30 cm nas laterais. Deverá haver nesse tanque pequenos peixes para impedir a proliferação de mosquitos e pedaços de madeira boiando na água, para evitar que as abelhas se afoguem caso caiam na água.

V- Outros fatores importantes


 

- A instalação no alpendre das casas dificulta o manejo e possibilita ataque de inimigos como a lagartixa (catenga), facilita a pilhagem pela proximidade das caixas.
- O mais adequado é instalar as caixas em bases individuais ou coletivas distanciadas de 0,50 m a 2 m, de acordo com a espécie criada (Jataí deve ficar a 1 m de distância uma da outra), preferencialmente, pintar as caixas com colorações diferentes, mantendo a 50 cm do chão com proteção contra inimigos. As bases devem ser confeccionadas de cantoneira de ferro com reservatório de óleo queimado para controle de inimigos.
- A disposição das caixas é função da topografia do terreno e do gosto do criador. Os cavaletes para sustentação das caixas, são construídos de madeira ou ferro, e deve conter recipiente ou espuma para colocação de óleo queimado contra o ataque de inimigos (formiga, cupins, lagartixas).
- Lâmpadas de luminosidade intensa não devem ser usadas no meliponário, pois as luzes podem matar as abelhas. A verificação de abelhas voando à noite, atraídas pelas lâmpadas ou mortas nas suas proximidades, deve ser constante.

V- Flora apícola


 

- A flora é essencial para o sucesso da criação. Assim, deve ser observada a existência de plantas que forneçam pólen (saburá, samorá) e néctar a maior parte do ano.
- Devemos observar as plantas visitadas pelas abelhas e registrar as épocas das floradas, montando, assim, um calendário regional.
- O local escolhido deve possuir uma boa quantidade de flores atrativas às abelhas, pois elas precisam coletar pólen e néctar (proteína e açúcar) durante a maior parte do ano.
- Se necessário, poderá ser plantado espécies benéficas, aumentando o pasto apícola ao redor do meliponário. É dado o nome de pastagem meliponícola a todas as plantas nativas e/ou exóticas utilizadas pelas abelhas para a coleta da matéria-prima utilizada na produção de mel, própolis e pólen.

O principal alimento das abelhas advém do pólen das flores, sendo através da coleta desse pólen que as abelhas cumprem o importante papel de polinizar as plantas. A flora melífera, para essas abelhas, é a própria flora de sua região de origem, que estão adaptadas, e de culturas introduzidas na região pelo homem.

Deve-se dar atenção especial aos pastos meliponícolas da região, devendo-se melhorá-los, caso necessário, introduzindo espécies de plantas que ofereçam pólen e néctar. Na falta desses, deve-se utilizar alimentação artificial.

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Por Silvana Teixeira.

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Comentários

jurandir matheus das neves

7 de fev de 2017

gostei das explicaçoes nao consigo e achar essas especies onde moro (rio grande rs)

Resposta do Portal Cursos CPT

24 de mai de 2017

Olá, Jurandir!


Agradecemos pela visita e comentário em nosso site. Continue nos visitando! Diariamente postamos conteúdos dos mais diversos temas que muito podem contribuir para o seu aprendizado.


Atenciosamente,

Equipe CPT de Redação

andre luiz bello

3 de nov de 2016

Gostei das dicas, sou apicultor de apis e sem ferrão, gostaria de obter mais informações. obrigado Andre.

Resposta do Portal Cursos CPT

24 de mai de 2017

Olá André Luiz,

Para mais informações cadastramos seu e-mail para receber nosso boletim informativo.

Atenciosamente,

Ana Carolina dos Santos

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