Produtores americanos e brasileiros não têm condições de produzir leite a pasto durante todo o ano
Publicado em: 28/12/2000A maioria das atividades realizadas nas fazendas, em qualquer parte do mundo, são, de um modo geral, semelhantes. Contudo, alguns produtores, pela circunstância do meio, adotam o sistema de criação de vacas leiteiras à pasto, enquanto outros, optam pelo sistema de confinamento. A diferença básica é a forma da alimentação dos animais.
A produção de leite é considerada como sendo a pasto quando esse é o principal e/ou praticamente o único alimento para os animais. No confinamento, as vacas são alimentadas no cocho. Em virtude do aumento nos custos, alguns produtores utilizam um sistema misto, ou seja, à pasto na época de fartura de forragens suplementando as vacas de alta produção com alimentos concentrados e, durante a seca, alimentando-as no cocho com silagem, cana-ureia e concentrados, de acordo com a produção. Muitos pesquisadores especializados na produção de leite a pasto tem argumentado que esta é forma mais econômica de se produzir. Diante desse argumento, restaria indagar por que alguns produtores insistem em produzir leite em confinamento.
A razão básica pode ser o contraste da produção de forragem em dois países. Por exemplo, na Nova Zelândia, a produção de leite é a pasto e tem baixo custo. Já nos Estados Unidos, representado na figura abaixo pelo estado de Wisconsin, um dos mais importantes na produção leiteira do país, vem gradativamente aumentando a produção de leite em confinamento.
A diferença básica entre a produção de leite a pasto e em confinamento é a forma da alimentação dos animais.
Em Wisconsin, existe pasto de abril a outubro, com pico de produção de forragem em maio. De novembro a março, em virtude do frio intenso, queda de neve e ventos fortes, a temperatura média no inverno chega a 32o C negativos, o que não permite a formação da pastagem. Por outro lado, na Nova Zelândia há uma boa distribuição de pasto ao longo do ano. No inverno, nesse país, há queda de forragem, porém ela ocorre em um período curto. O leite pode ser produzido por vacas mantidas a pasto durante oito a dez meses por ano.
Os pesquisadores e produtores desse país concluíram que poderiam explorar as raças européias, entre elas a Holandesa, a Jersey e cruzamento entre essas raças, sem a necessidade de suplementação de concentrados, em virtude da boa qualidade das suas pastagens ao longo do ano.
No Brasil há grande produção de forragem no período das chuvas, de novembro a março e escassez, de abril a outubro. O produtor brasileiro tem sido orientado, ao longo de décadas, na produção de silagem, feno, e mais recentemente, vem utilizando a mistura cana + ureia como alternativa para alimentar os animais no período de seca. Além disso, fornecem concentrados comerciais ou produzidos na fazenda de acordo com a produção de suas vacas.
Fácil concluir que os produtores americanos e brasileiros não têm condições de produzir leite a pasto durante todo o ano, em virtude de sua falta no período do inverno nos Estados Unidos e no Brasil, na seca. No entanto, os produtores brasileiros levam vantagem pois o inverno é mais ameno que nos Estados Unidos e Canadá e, em muitos estados brasileiros, a temperatura média do verão não é tão alta quanto nos Estados Unidos.
Considerando um número médio de três vacas por hectare, o produtor necessitaria de cem hectares de pastagens irrigadas, adubadas e bem manejadas para manter um rebanho de trezentas vacas em lactação, produzindo até 3.000 kg por dia. Entretanto, é pouco provável que um produtor esteja dispostoa investir em irrigação, cercas, fertilizantes, etc., para explorar leite, mesmo sabendo que é possível produzir o litro de leite por baixo custo de produção. Um rebanho de 300 vacas de alta produção manejado em regime de confinamento, consumindo silagem de milho e concentrados durante todo o ano, considerando uma média de 30 kg diários, produzirá 9.000 litros. Hoje em dia, existem rebanhos confinados com média diária por vaca acima de 38 kg diários.
São opções que o produtor deverá considerar antes de tomar as suas decisões.
Essas e muitas outras informações estão no curso Confinamento para Gado de Leite, produzido pelo CPT - Centro de Produções Técnicas e pelo Dr. Marcus Cordeiro Durães e pelo Dr. Luciano Patto Novaes, ambos pesquisadores da Embrapa Gado de Leite. O curso aborda alta produção e maior lucratividade das técnicas do confinamento como também as exigências de um sistema bem estruturado, uso de técnicas adequadas e bom gerenciamento.
Este conteúdo pode ser publicado livremente, no todo ou em parte, em qualquer mídia, eletrônica ou impressa, desde que o CPT – Centro de Produções Técnicas seja citado como fonte, remetendo para o site da instituição: www.cpt.com.br
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