Etapa importante no processamento da madeira diz respeito ao seu tratamento que tem como objetivo o aumento da vida útil das peças
Publicado em: 28/06/1998Independentemente do tamanho da propriedade rural, a implantação e manutenção de um povoamento florestal é garantia de suprimento sustentado de madeira para o próprio consumo e adjacências, nas mais diferentes formas de utilizações, destacando-se a produção de moirões de cerca, postes, madeira para construção de currais, casas, pontes entre outros usos.
Uma pequena unidade de desdobro, caracterizada por simples equipamentos, como serra circular e de destopo, possibilita a transformação de toras em peças de madeira serrada na forma de tábuas, pranchões, sarrafos, entre outros.
Existem basicamente duas formas de secar a madeira, que pode ser através da secagem ao ar livre, que consiste no empilhamento desta em camadas separadas por tabiques ou sarrafos (separadores), ou através de estufas adequadamente projetadas para tal finalidade.
As pilhas de madeira a serem secas ao ar devem ser cobertas para evitar a exposição direta da madeira aos agentes do ambiente, sobretudo à precipitação e excessiva radiação solar. O tempo de secagem ao ar é variável, em função do tipo e das dimensões das peças a serem secas, o que, no caso de tábuas de três centímetros de espessura, pode variar de três a seis meses, dependendo ainda da espécie em questão e das condições atmosféricas do local. A secagem em estufa, consiste no empilhamento da madeira, de forma idêntica àquele feito na secagem ao ar, em câmaras fechadas, de alvenaria, com parede dupla e com ar quente forçado a circular entre as camadas da pilha de madeira, promovendo a retirada da umidade.
A aquisição desse sistema pelo produtor rural somente justifica, caso este tenha como principal negócio de sua propriedade a produção e comercialização de madeira.
Outra etapa importante no processamento da madeira diz respeito ao seu tratamento que tem como objetivo o aumento da vida útil das peças quando colocadas em serviço. Essa operação poderá ser feita tanto em escala industrial, como em processos caseiros que caracterizam pela simplicidade, mas eficazes no prolongamento da vida útil das peças. Para a pequena produção na propriedade rural é recomendável o uso dos processos chamados caseiros, em que se destacam basicamente dois mais importantes. O primeiro é o chamado processo do banho quente-frio.
Esse processo útil no tratamento de moirões e pequenos postes na forma roliça, consiste na introdução dessas peças descascadas e secas em um banho quente, em um preservativo oleoso, mais comumente o creosoto ou emulsão à sua base. O tempo no banho deverá ser de pelo menos duas horas, a uma temperatura que não ultrapasse os 90°C.
Encerrado o banho quente, a madeira deverá ser transferida para um recipiente (tambor) contendo o mesmo preservativo à temperatura ambiente. O tempo no banho frio deverá ser de no mínimo quatro horas, para se obter uma boa absorção do produto. Moirões de eucaliptos tratados por esse método poderão ter durabilidade superior a 10 anos, contra 2 a 3 anos para madeira não-tratada. O segundo método caseiro é denominado "substituição de seiva", e consiste em colocar a madeira também descascada e na forma roliça, porém verde, ou no máximo 24 horas após o corte, em contato com uma solução de sais hidrossolúveis por vários dias, para que o preservativo possa ser absorvido, garantindo, assim, um aumento considerável na vida útil das peças de madeira.
O curso , intitulado "Secagem e Tratamento de Madeira na Fazenda", produzido pelo CPT - Centro de Produções Ténicas, sob a coordenação técnica do professor Dr. José Tarcísio da Silva Oliveira, apresenta, em detalhes, essas técnicas.
José Tarcísio da Silva Oliveira
Doutor em Tecnologia da Madeira
Pesquisador do Departamento de Engenharia Florestal
da Universidade Federal de Viçosa - MG
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