O que faz a madeira de eucalipto apodrecer?

O apodrecimento da madeira de eucalipto decorre da atuação de enzimas produzidas por fungos, a partir de vários biocatalisadores, onde cada substância desenvolve funções específicas

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O apodrecimento da madeira de eucalipto decorre da atuação de enzimas produzidas pelos fungos, a partir de vários biocatalisadores, onde cada uma dessas substâncias desenvolvem funções específicas, com a aceleração ou o controle das reações bioquímicas. A quebra enzimática, por sua vez, consiste basicamente na transformação dos componentes insolúveis da madeira, em produtos solúveis, e em seguida para compostos químicos simples, que são introduzidos no metabolismo do fungo.

Segundo Dr. José Tarcísio da Silva Oliveira, Curso a Distância CPT Secagem e Tratamento de Madeira na Fazenda, em Livro+DVD e Curso Online, “a madeira sob ataque de fungos apresenta alterações da composição química, redução da resistência mecânica, diminuição de peso, modificação da cor natural, aumento da permeabilidade, redução da capacidade de acústica, aumento da inflamabilidade, diminuição do poder calorífico e maior propensão ao ataque de certos insetos.

Em outras palavras, os fungos colonizam profundamente a madeira e decompõem os tecidos lenhosos, numa velocidade normalmente bastante alta. Os basidiomicetos, capazes de decompor a madeira, são divididos em dois tipos: fungos de podridão parda e fungos de podridão branca que possuem características enzimáticas próprias, quanto à decomposição dos constituintes primários da madeira. Os primeiros decompõem apenas os polissacarídeos da parede celular, e os últimos, tanto os polissacarídeos quanto a lignina.

Fungos de podridão parda


Tais organismos se alimentam principalmente dos carboidratos da madeira, sendo que, nos estádios avançados de deterioração, essas madeiras apresentam uma coloração pardo-escura. Esses se alimentam preferencialmente de celulose, a madeira atacada fica toda fissurada no sentido longitudinal e transversal, com a formação de placas, compostas basicamente pela estrutura compacta da lignina.

Fungos de podridão branca


Esses organismos se caracterizam por atacar preferencialmente a lignina, além de atacar também os outros componentes primários da madeira. SEABRIGHT (1995) diz que a porcentagem de perda de massa real da madeira degradada por esses fungos parece estar ligada à perda de massa nos componentes químicos da lignina e hemiceluloses. Quanto à aparência da madeira atacada, esta fica esbranquiçada e com forma aciculada, caracterizada pela remoção da lignina, e permanência das cadeias lineares da celulose.

Além destes, outros organismos também contribuem para deteriorar a madeira de eucalipto. São eles:

Fungos emboloradores


Macroscopicamente, a madeira embolorada apresenta na superfície uma formação pulverulenta, de coloração variada, facilmente removível da camada superficial. Tal camada pulverulenta é destacada pela formação de uma massa de esporos coloridos na superfície da madeira.

Fungos manchadores


Mancham a madeira porque possuem hifas coloridas, ou produzem substâncias coloridas, que são lançadas no meio. Podem destruir membranas das pontuações, por ação mecânica ou podem penetrar nos espaços existentes ou abertos por bactérias. O dano físico causado ao substrato é pequeno, com exceção da resistência ao impacto, causando, no entanto, problemas de natureza estética, reduzindo drasticamente o valor comercial da madeira. Esses fungos, normalmente, atacam toras recém abatidas de madeiras de coloração clara, como as espécies do gênero Pinus, e também de folhosas. Eles ocorrem também em peças de madeiras secas, submetidas a uma condição de reumedecimento. Normalmente, as suas hifas penetram profundamente na madeira, alimentando-se de substâncias de reservas, existentes no lúmen das células. Normalmente a infestação por fungos manchadores, sendo a mancha azul a mais conhecida e importante, se dá nas primeiras horas após o abate da árvore. As hifas caminham em direção ao interior da madeira através do parênquima lenhoso, destacando o detalhe das células de traqueideo do raio, completamente intactas.

Bactérias


O ataque de bactérias é comum em madeiras submersas por algumas semanas ou meses, ou ainda submetidas à condição de anaerobiose, como em estacas ou fundações. O fator mais importante para a instalação desses organismos é o elevado teor de umidade. Segundo CAVALCANTE (1982), o ataque da madeira por esses organismos se dá de forma muito lenta, podendo levar anos para que alterações consideráveis possam ocorrer. Inicialmente, o ataque se restringe aos materiais de reservas das células radiais, dirigindo, em seguida, para o próprio raio, que em estágio mais avançado de ataque, pode atingir outros elementos anatômicos como fibras e traqueideos. Tem-se, também, registrada a ocorrência bastante frequente de ataque bacteriano, associada ao ataque por fungos, nas paredes celulares de peças de madeira, mantidas em contato com o solo. Macroscopicamente, o ataque aparece como manchas pequenas, distribuídas ao acaso na superfície da madeira, podendo, nos estágios avançados, ocorrer o amolecimento nestas áreas.

Fungos de podridão mole


Esses fungos ocorrem principalmente nas condições desfavoráveis aos outros organismos apodrecedores. Essas condições são: teores de umidade muito elevados e consequentemente baixa aeração, ou, ainda, fatores inibitórios tais como extrativos ou preservativos. São também favorecidos por fatores como temperaturas elevadas e alta concentração de nitrogênio solúvel. Macroscopicamente, a madeira atacada por esses fungos apresenta uma camada superficial escurecida e amolecida, quando úmida, sendo facilmente removível. A profundidade de ataque é normalmente superficial, podendo penetrar entretanto, por todo alburno da madeira. CAVALCANTE (1982) afirma que apesar de o ataque desses organismos restringir a superfície da madeira, raramente ultrapassando a 20 mm de profundidade, a parte atacada poderá ser facilmente destacada, e, portanto, expondo novas regiões da madeira a ação dos fungos.

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Por Silvana Teixeira.

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