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O que é acidose ruminal e como tratá-la?

Acidose ruminal é uma doença metabólica geralmente aguda, causada pela ingestão de grãos ou outros alimentos altamente fermentáveis em grandes quantidades

O que é acidose ruminal e como tratá-la?  Artigos Cursos CPT

Acidose ruminal é uma doença metabólica geralmente aguda, causada pela ingestão de grãos ou outros alimentos altamente fermentáveis em grandes quantidades. Segundo Pacífico Antônio Diniz Belém, professor do Curso a Distância CPT Enquanto o Veterinário não Chega - Atendimento a Bovinos, em Livro+DVD e Curso Online, "A acidose ruminal é caracterizada por perda do apetite, desidratação, diarreia, depressão e, quando não é efetuado o tratamento curativo, pode levar à morte". A doença também é conhecida como: Indigestão Aguda por Carboidratos em Ruminantes, Sobrecarga Aguda por Grãos, Impactação Ruminal Aguda, Sobrecarga Ruminal, Acidose Láctica,Indigestão Tóxica, Indigestão Ácida (OGILVIE, 2000).

Causas da acidose ruminal


A doença ocorre geralmente nos casos de mudanças bruscas no regime alimentar, de forma que o consumo de grãos é aumentado sem adaptação prévia da microflora ruminal, ou pelo alto consumo acidental de grãos pelo gado que tem acesso a grandes quantidades de grãos armazenados (ex.: animais que arrombam depósito de grãos; auxiliar desinformado que fornece grande quantidade de grãos), como grãos finamente moídos (trigo, cevada, milho). Também ocorre quando os bovinos são colocados em pasto verde, com milho verde deixado no solo, quando recebem restos de grãos perdidos durante a trituração, ou quando ocorre alimentação irregular com grandes quantidades de outros alimentos menos comuns (pão, massa de padaria, resíduos de cervejaria, soluções concentradas de sacarose usadas em apicultura, maçãs, peras, batatas beterraba, soro de leite).

Há alguns períodos críticos durante os quais ocorre sobrecarga por grãos:

- Quando o gado inicia a alimentação, mesmo tendo contato prévio com grãos, é comum a ingestão de uma dose tóxica, se for oferecido um nível alto de grãos na ração;
- Quando há aumento na concentração de grãos da ração de um nível para outro, se o aumento é grande, o total de grãos consumidos por alguns animais também pode ser excessivo;
- Uma rápida queda na temperatura ambiente resultará num grande aumento da ingestão de alimentos em animais que são alimentados à vontade e em que pode ocorrer a sobrecarga por grãos; - Quando chove e os alimentos começam a umedecer com possibilidade de mofar, diminui a ingestão dos mesmos, mas quando é oferecido posteriormente alimento seco e fresco a ingestão pode aumentar de tal maneira que ocorrerá a sobrecarga;
- Quando o gado que recebe uma ração altamente concentrada em grãos fica privado de alimentação por 12 a 24 horas e, então, com acesso livre a dieta, o consumo aumenta abruptamente com ingestão excessiva de grãos.

O que acontece com o gado acometido pela acidose abdominal?


Para a maioria dos ruminantes, o principal ingrediente da dieta são as forragens. Como forragens geralmente contêm altas concentrações de fibra, a qual é digerida lentamente no rúmen e não causa a produção de ácido láctico, dificilmente dietas baseadas em forragens chegam a causar distúrbios digestivos, como a acidose ruminal. Por outro lado, o fornecimento de alimentos concentrados na forma de grãos na dieta para aumentar o consumo de energia e desempenho animal, aumenta as quantidades de carboidratos a serem fermentados no rúmen, o que promove a produção de ácidos graxos voláteis. Normalmente, há no rúmen um equilíbrio entre bactérias (celulolíticas) que digerem as fibras e bactérias que usam carboidratos. Qualquer alteração nesse mecanismo ocasiona indigestão, disfunção ruminal e absorção de toxinas (GONZÁLEZ e SILVA, 2006; OGILVIE, 2000). A ingestão de quantidades excessivas de alimentos altamente
fermentáveis pelo ruminante é verificada com 2 a 6 horas pela marcante mudança na população microbiana do rúmen. Há um acentuado aumento no número das bactérias que produzem grandes quantidades de ácido láctico (Streptococcus bovis). A grande concentração de ácido láctico leva a uma queda no pH ruminal, a tal ponto que são destruídas grande parte da flora ruminal com diminuição dos movimentos ruminais. A concentração de ácidos graxos voláteis inicialmente também é aumentada e contribui para diminuir o pH ruminal. (BLOOD et al., 1979).

Sintomas da acidose ruminal


Os sintomas são variáveis e dependem da quantidade de alimento consumido, da composição do alimento, do tamanho da partícula do alimento e da adaptação prévia do animal à ração. As síndromes clínicas podem ser agudas e acentuadas ou discretas e semelhantes à indigestão simples. Os sintomas se manifestam de 12 a 24 horas após a ingestão do alimento. Inicialmente nota-se um inchaço do rúmen e sintomas de cólicas (inquietação, chutes no ventre, mugidos etc.), passando para um quadro de perda de apetite e depressão. Os movimentos ruminais são reduzidos, mas não inteiramente ausentes. O bovino não rumina por alguns dias, mas, normalmente, começa a comer no terceiro ou quarto dia, sem nenhum tratamento específico (BLOOD et al., 1979; GONZÁLEZ & SILVA, 2006). Além disso, observa-se também redução na produção de leite, no caso das vacas leiteiras, e piora na condição corporal.

A diarreia é quase sempre presente e geralmente é profusa, de coloração levemente enegrecida e de odor ácido, sendo a desidratação grave e progressiva. Nos casos mais severos, os animais encontram-se apáticos, prostrados, sendo encontrados deitados em 24 a 48 horas, apresentam um caminhar cambaleante e cegueira, parando completamente de se alimentar, o que pode culminar na morte do animal. Alguns animais apresentam melhoras temporárias, mas voltam a adoecer gravemente após alguns dias, com morte do animal (MANUAL MERCK, 1991). Outras consequências da acidose ruminal, que não são observáveis de forma imediata e podem ocorrer secundariamente, são a laminite e o timpanismo. Dentro de um mesmo lote, o grau de apresentação dos sintomas é variável de animal para animal.

Diagnóstico da acidose ruminal


O diagnóstico deve basear-se na observação dos sinais clínicos acima descritos (depressão, anorexia, incoordenação etc.), associados a um histórico de alimentação com grandes quantidades
 de grãos ou outros alimentos facilmente fermentáveis.

Tratamento da acidose ruminal


As principais medidas a serem tomadas se referem à evacuação da ingesta e correção da desidratação e da acidose. O uso de bicarbonato ou carbonato de magnésio, (200-450 g/animal) é satisfatório apenas nos casos leves, sendo, muitas vezes, necessário o uso de sonda para esvaziamento do conteúdo ruminal. O uso de óleos e antifermentativos poderá ser útil para auxiliar a evacuação e para reduzir a absorção dos ácidos e das toxinas. Antibióticos, tais como a penicilina (5-10 milhões de UI/animal adulto) ou a tetraciclina (8-10 g/animal adulto), administrados oralmente, são capazes de controlar o crescimento de bactérias produtoras de ácido láctico. A correção do desequilíbrio hidroeletrolítico (desidratação) deve ser feita por meio da administração endovenosa de soluções isotônicas e bicarbonato de sódio. É importante restringir o consumo de água em animais doentes, visto que o consumo exagerado de água pode causar indesejável distribuição dos fluidos corporais, com agravamento do desequilíbrio eletrolítico (MICHELL, 1990). Anti-histamínicos podem ser usados para prevenção de intoxicação e laminite, embora seu uso ainda cause algumas controvérsias. O uso do cloridrato de tiamina é indicado. Durante o período de recuperação, o animal deve receber água e volumoso de boa qualidade, sendo os grãos reintroduzidos gradualmente à dieta do animal.

Prevenção da acidose ruminal


As  medidas  mais  eficazes  para  este  fim  são  aquelas que  buscam evitar o acesso acidental de animais a grandes quantidades de grãos e a adoção de um bom esquema de adaptação, sendo os grãos introduzidos gradualmente à dieta do animal.

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Por Silvana Teixeira.

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