Pepino: produção de mudas

As mudas a serem utilizadas devem ter boa qualidade para garantir uma boa produtividade

Cultivo do pepino em estufa

O pepino, Cucumis sativus , pode ser cultivado rasteiro, assim como se desenvolve, ou tutorado, o que aumenta a sua produtividade 

O cultivo de pepino em estufa teve início na década de 80. Com isso, houve um grande aumento de produtividade, mas também uma maior incidência de doenças do solo, que levaram os produtores possuidores de tecnologia mais desenvolvida a recorrerem a prática da enxertia, utilizando a abóbora como porta- enxerto para o pepino do tipo japonês. Este, além de ser resistente a doenças, suporta temperaturas baixas, tornando possível aos produtores ofertarem a hortaliça, antecipadamente, no mercado e conseguirem, assim, melhores preços.

“Essa hortaliça é mais consumida nos meses de novembro a abril – período mais quente do ano – quando sua utilização como salada aumenta, o preço se reduz e a quantidade ofertada é maior, afirma a professora Rumy Goto, do curso Cultivo de Pepino em Estufa, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas.

O pepino, Cucumis sativus , pode ser cultivada rasteira, assim como se desenvolve, ou tutorado, o que aumenta a sua produtividade. É uma planta exigente em calor. A germinação da semente ocorre entre 25 a 30ºC; o crescimento das mudas, entre 27 e 30ºC; o crescimento vegetativo, durante o dia, entre 27 e 30ºC e , durante a noite, entre 18 a 19ºC; a floração e frutificação, durante o dia, entre 27 a 28ºC e, durante a noite, entre 18 a 19ºC.

 

A umidade relativa do ar muito elevada é bastante prejudicial para o pepino, dando uma condição especial para o aparecimento de doenças. A tendência de aumento da umidade relativa ocorre, durante a noite e nas primeiras horas da manhã, observando-se que, na parte superior das estufas, há condensação da umidade, sendo o gotejamento sobre as plantas prejudicial. Para contornar esse agravante, deve-se fazer o arejamento, abrindo todas as laterais e janelas da estufa.

 

Assim como todas as plantas, o pepino necessita de uma certa quantidade de luz para satisfazer a sua fisiologia, visando o desenvolvimento. Existem, no mercado, tipos de plástico de pouca durabilidade (50 micra ) e outros com durabilidade maior. Esses plásticos com maior durabilidade (150 micra ) têm a tendência de impedir a penetração da luz e, dessa forma, periodicamente, recomenda-se a sua lavagem. A luminosidade é importante, sobretudo, no período de floração.

 

PRODUÇÃO DE MUDAS

 

No início de uma atividade de produção de hortaliças, principalmente, quando se trata de cultivo de ambiente protegido ou sob plástico, a produção de mudas adquire uma importância maior, pois tudo vai depender dessa fase. De nada vai adiantar fazer um investimento alto para a construção de estufas, se as mudas a serem utilizadas não tiverem boa qualidade para garantir uma boa produtividade.

 

Sendo assim, o preparo das mudas em bandejas é o melhor método que existe no mercado, pois as mudas, quando preparadas dessa forma, são mais sadias, precoces e uniformes; ocupam menor área; ocorre maior aproveitamento das mudas, estas mais fáceis de manusear no transplante; têm, praticamente, 100% de pegamento no transplante; melhor enraizamento e economia de mão de obra. Para o pepino, é recomendado utilizar bandejas com 128 células.

 

Preparo do substrato

 

1) Arrumar terra de barranco, ou de local que nunca foi cultivado.

2) Esterco, composto ou húmus.

3) Material para dar volume, deve ser leve, armazenar umidade e não favorecer a contaminação de doenças. O que, normalmente, tem-se utilizado é a casca de arroz carbonizada.

4) Substrato propriamente dito:

 

a) Juntar todos os três elementos citados, na seguinte dosagem:

- 2 carriolas de terra de barranco (120 litros) ;

- 2 carriolas de esterco de gado ou composto ou húmus (120 litros);

* com húmus tem tido melhores resultados

-1 saco de casca de arroz carbonizado (40 litros);

- 500 gramas de adubo 4:14:8.

 

Depois, mistura-se muito bem, umedece com o regador, mas cuidado para não encharcar. Este umedecimento tem a função de ter uma boa aderência da terra, esterco e adubo e, ainda, quando encher as bandejas, a mistura não cai pelo orifício que tem embaixo da bandeja.

 

b) Existem, no mercado, vários substratos prontos (comercial):

- GIOPLANT II (recomendado para pimentão, berinjela, jiló, entre outros );

- Plantimax – HT;

- Stratus ;

- Outros.

 

Enchimento das bandejas

 

Colocar o substrato, em todas as células, bater de leve a bandeja no chão para que o substrato assente direito, pois, quando não houver esse assentamento, logo depois que regar a bandeja, o substrato vai acomodar, ficando um vazio, ou com pouco substrato, não podendo dessa forma semear.

 

Depois de tudo preparado, demarca-se o lugar para jogar a semente, fazendo uma leve pressão com o dedo, ou com algum outro material. Não deve ser muito fundo, pois as sementes são pequenas. Utiliza-se de uma a três sementes, conforme a taxa de germinação, qualidade da semente. Cobre-se com substrato ou, de preferência, com casca de arroz carbonizada.

 

Enxertia

 

A enxertia é uma técnica de propagação vegetativa muito utilizada na floricultura e fruticultura. Com o aumento dos problemas de ocorrência de patógenos do solo, principalmente , nos cultivos protegidos, há a necessidade de introduzir-se híbridos ou cultivares, que apresentam uma certa resistência, para que seja viabilizado o cultivo de híbridos comerciais existentes, uma vez que os programas de melhoramento são sempre mais lentos.

 

No preparo de mudas para enxertia, faz-se a semeadura em bandejas de isopor (das de 128 células), ou em leitos de semeadura. Coloca-se de uma a duas sementes, por células, que germinarão no prazo de quatro a sete dias, dependendo da temperatura. Normalmente, utilizava-se, como porta enxerto, a abóbora Tetsukabuto ou Kurodane, por terem o sistema radicular mais eficiente.

 

Atualmente, utilizam-se híbridos mais novos, que, além dessas características da resistência do sistema radicular a temperaturas mais baixas, apresentam resistência/tolerância a doenças de solo, a nematoides, bem como interfere na qualidade externa dos frutos, retirando ou diminuindo a cerosidade na película (casca) externa, dando mais brilho à hortaliça.

 

Há duas formas de se fazer a enxertia:

 

Enxertia por encostia

 

No porta-enxerto, retira-se, primeiramente, a dominância apical, a folha definitiva e o meristema apical. A seguir, com auxílio de uma lâmina, faz-se uma fenda lateralmente, 1,0 a 1,5cm abaixo das folhas cotiledonares, de cima para baixo, que chegue até a parte central do caule. Em seguida, faz-se uma fenda idêntica no pepino, porém, de baixo para cima. Por fim, encaixa-se uma fenda na outra e abraça-se o enxerto com um prendedor específico de enxertia.

 

No caso das mudas que foram enxertadas por encostia, há a necessidade de fazer o “desmame”, ou seja, retirar a parte radicular do pepino, pois este deverá sobreviver na raiz da abóbora. Esta operação se faz depois que houver a consolidação do enxerto (nos cortes), normalmente, ocorre de 7 a 10 dias.

 

Depois dessa operação, faz-se a adaptação das mudas para que possam ser transplantadas para a área definitiva. O transplante das mudas, normalmente, ocorre mais sete a dez dias. Após cerca de 7 dias a 12 dias, corta-se a base do pepino e a parte aérea da abóbora.

 

Enxertia por Fenda

 

O método de fenda é mais simples, as mudas são preparadas da mesma forma e o estádio para se fazer a enxertia é o mesmo. Inicialmente, retira-se a dominância apical da abóbora, ou seja, retira-se a primeira folha definitiva e o meristema apical. A seguir, faz-se uma fenda, no centro do hipocótilo, para baixo, cerca de 1,5cm, depois pega-se a parte aérea da muda de pepino, sem o sistema radicular, cerca de 2,5 a 3,0cm, cortando em bisel.

 

Em seguida, encaixa-se o pepino, na fenda que foi aberta na abóbora, e prende com o prendedor especial, umedecendo bem os copinhos com as mudas e, logo a seguir, colocando-se em uma câmara úmida, ficando, nestas condições, cerca de 7 a 10 dias. No entanto, deve-se controlar a câmara para que esta não ultrapasse os 30ºC, principalmente, nos horários mais quentes do dia.

 

Tanto neste método como no outro, estas câmaras de enxertia devem ser bem monitoradas, pois o sucesso das enxertias depende deste monitoramento. Logicamente, a técnica também tem uma influência, mas o manejo pós enxertia é bem mais importante.

 

Aprenda mais sobre hortaliças, acessando os cursos da área Horticultura.

 

Por Andréa Oliveira

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Comentários

CESAR BERTACO

5 de ago de 2016

Para encerrar se sameia no mesmo dia?

Resposta do Portal Cursos CPT

8 de ago de 2016

Olá César,

Pode sim.

Atenciosamente,

Ana Carolina dos Santos

CESAR BERTACO

5 de ago de 2016

Gostaria de saber se semeia a abobrinha e o pepino no mesmo dia?

Resposta do Portal Cursos CPT

5 de ago de 2016

Olá César,

O pepino e a abobrinha podem ser semeado no mês de setembro.

Atenciosamente,

Ana Carolina dos Santos

solange araujo garcia santello

7 de abr de 2014

aonde posso encontrar muda de enxertia de abóbora com pepino japonês, pode passar o telefone obrigada

Resposta do Portal Cursos CPT

11 de abr de 2014

Olá, Solange!

Agrademos sua visita e comentário em nosso site.

Recomendamos que procure em casas especializadas em produtos agrícolas.

Atenciosamente,

Ana Carolina dos Santos

junior

17 de jun de 2013

Queria saber se é possível fazer o transplante de pepino, porque já lancei algumas semente de pepino na alfore. peco a vossa resposta

Resposta do Portal Cursos CPT

18 de jun de 2013

Olá Júnior!

Agradecemos sua visita e comentário em nosso site.

As mudas de pepino atingem o ponto de transplante entre 6 a 10 dias após a germinação.

Atenciosamente,

Ana Carolina dos Santos

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