Caro e barato: como ensinar esses conceitos na escola?

A cada faixa etária novos conteúdos e temas devem ser introduzidos na educação dos alunos, de forma a assimilarem, com o tempo, os conceitos e assuntos relevantes sobre a Educação Financeira



Caro e barato, como ensinar na escola?

A cada faixa etária novos conteúdos e temas devem ser introduzidos na educação de nossos alunos, de forma a assimilarem, com o tempo, todos conceitos e assuntos relevantes sobre a Educação Financeira. Segundo Michelle Gomes Lelis, professora do Curso a Distância CPT Educação Infantil - Educação Financeira e Empreendedorismo, em Livro+DVD e Curso Online, "A idade da criança é fundamental para a internalização das informações sobre Educação Financeira. Sendo assim, de nada adiantará ensinar seus conceitos a crianças que ainda não têm capacidade cognitiva para aprendê-los. Será uma tentativa em vão".

Para facilitar, veja como trabalhar o assunto “caro e barato”, relativo a dinheiro, em cada fase da vida, mais especificamente:

A partir dos 2 anos: administrando o tempo e a diferença entre caro e barato


A Educação Financeira começa quando a criança nasce. Quanto mais cedo esse processo tem início, mais fácil ele se torna para ambas as partes. A ideia de tempo é a primeira noção importante, da necessidade de, em alguns casos, ter de esperar por algo. A partir do quarto mês, a noção de tempo, de espera, pode começar a ser transmitida. Mas, nada de deixar o bebê chorando. Isso não é nada bom. Os educadores podem dizer, enquanto atendem a criança, para ela esperar um pouco, ter calma. Isso, aos poucos, vai dando algum controle da situação aos educadores. E a noção de tempo e espera é parte importante do processo de Educação Financeira.

O primeiro sinal de que chegou o momento de conversar sobre Educação Financeira é quando a criança pede aos pais para comprar algo. Os pais e educadores podem passar, aos poucos, as noções de caro e barato, estabelecendo os limites para o consumo, dentro de suas possibilidades orçamentárias. É o primeiro passo que leva à racionalidade na hora de usar dinheiro. Pode-se falar francamente que agora não dá para comprar o bem desejado e explicar que em uma outra oportunidade a despesa poderá ser feita.

Os pais devem ser aconselhados a explicar a realidade financeira em que vive a família, por exemplo, quais são suas despesas e prioridades de gastos daquele mês. Lembre-se que a criança é o espelho dos pais. É importante saber dizer “não” sempre que necessário. Também é fundamental estabelecer a diferença entre desejo (querer) e necessidade (precisar). Faz parte tanto do processo de formação da criança quanto do processo de Educação Financeira.

Ensine ao seu aluno distinguir as coisas que compramos porque queremos daquelas que compramos por necessidade. Muito da habilidade financeira depende disso. O aluno precisa compreender que é importante não desperdiçar dinheiro. Apresente moedas e cédulas a ele, mostrando diferenças de tamanho e cor, aprendendo a respeitar o que se conhece. Leve-os ao supermercado ou shopping, ou apresente produtos com preços diferentes para trabalhar as diferenças de valores, como caros e baratos.

A partir de 3 anos: recebendo, gastando e poupando dinheiro


Nessa faixa etária as crianças adoram receber dinheiro. Não sabem ainda muito bem o que fazer com ele, mas ficam satisfeitas acumulando moedas e notas. A criança tende a ser poupadora por natureza. Dê para a criança um potinho transparente com uma tampa que possa ser facilmente aberta e fechada para que ela guarde o dinheiro que recebe. Os cofres fechados não são recomendáveis. O cofre lacrado é mais ou menos como você ter uma conta no banco e não poder verificar o saldo nem fazer movimentações. O cofrinho pode ser confeccionado em sala de aula, aproveitando materiais descartados, de forma a aprenderem, também, sobre reutilização do lixo.

Dinheiro é para ser gasto e para dar prazer. Essa noção é fundamental para estabelecer um relacionamento saudável com o dinheiro. Poupar serve para atingir um objetivo maior e nunca deve ser associado a uma restrição. Isso talvez explique porque somos tão maus poupadores.

Mantemos uma relação conflituosa com o dinheiro. Sentimos culpa ao gastar e achamos que poupar é um sacrifício. Poupamos para realizar um objetivo que nos dará prazer, como comprar um carro, um imóvel, fazer uma viagem, um curso e outros. A criança deve ter essa percepção. Ela poupa para comprar um brinquedo mais caro que deseja, o qual os pais, naquele momento não têm como comprar. Ao atingir o objetivo, ela vai ter gosto em guardar dinheiro para realizar seus sonhos e não vai encarar isso como um sacrifício.

Nessa fase, os pais devem ser orientados quanto a dois comportamentos que podem ser sinais de alguma dificuldade emocional, o que deve impulsionar os pais a analisar mais de perto o que está acontecendo com a criança e, se for preciso, buscar a ajuda de um psicólogo. Se a criança não gasta seu dinheiro de modo algum ou se gasta tudo, compulsivamente, é bom investigar as causas disso e, se for necessário, buscar ajuda para que essas dificuldades emocionais não causem problemas na adolescência e na vida adulta. Sugira aos pais que chamem seu filho para elaborar a lista do supermercado, deixando-o responsável por checá-la, respeitando sempre a lista de compras.

A partir de 4 anos: estabelecendo a semanada


Por volta dos 4 anos, os pais já podem estabelecer oficialmente uma semanada para a criança. Devemos orientar os pais a pendurarem no quarto da criança um calendário bem grande e marcar as datas em que ela irá receber sua semanada. É preciso enfatizar a noção de tempo e sempre respeitar o prazo combinado. Se o orçamento dos pais permitir, sugira uma semanada cujo valor seja de um real por ano de vida da criança. Ou seja, se a criança tem quatro anos, ela deve receber R$ 4,00 por semana.

A semanada é um importante instrumento de Educação Financeira ao dar a criança a responsabilidade por sua ações, além de ensiná-la a tomar decisões desde cedo. Ela faz as escolhas de como utiliza ou aplica seu dinheiro. Os pais devem apenas orientar, mas a autonomia é sempre da criança. Estimular que a criança gaste metade e poupe a outra metade da semanada é ainda uma recomendação importante.

A autonomia conferida pela semanada não significa carta branca para qualquer tipo de gasto. Se a criança gastar logo o dinheiro, não deve ser privada do lanche, mas deve ser evitada a verba extra. Ela terá de levar um alimento de casa, por exemplo. Caso a criança gaste todo o dinheiro da semanada muito rápido e comece a pedir mais, é preciso avaliar duas possibilidades: ou a criança está recebendo um valor muito pequeno e os pais devem repensar o valor da semanada ou a criança não sabe como usar o dinheiro e está perdendo o controle da situação. No segundo caso, os pais devem reforçar as orientações.

Uma caderneta para anotar os gastos que a criança realiza, fazendo uma espécie de orçamento semanal, é uma boa prática. Os pais podem, junto com a criança, encontrar maneiras para racionalizar a utilização dos recursos. No entanto, em hipótese alguma, a regra do jogo deve ser quebrada. Não se deve dar dinheiro extra ou adiantar o pagamento da semanada porque a criança já gastou tudo. Também não cabe, neste caso, os típicos sermões: você foi irresponsável e gastou tudo. É um processo de aprendizado em que os erros servem para aprender (FILOCRE, 2005).

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Por Silvana Teixeira.

 

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