Peixes ornamentais: condições locais

Quanto mais soubermos sobre a espécie que estamos criando, maiores serão as chances de obtermos êxito no negócio

 

Peixes ornamentais

O ambiente aquático é influenciado pelo ar, pelo solo, pelo ecossistema terrestre adjacente e também pela intervenção humana, chamada de ação antrópica 

Existem, no Brasil, hoje, em torno de 1.800 produtores de peixes ornamentais. Cerca de 350 desses produtores estão concentrados na região de Muriaé, em Minas Gerais. Outros polos de criação também se desenvolveram ao longo deste tempo por diversas regiões do país, contribuindo para dinamizar as economias locais e gerar empregos.

Além de Muriaé, são polos de produção de peixes ornamentais o Rio de Janeiro (Magé, Duque de Caxias, Região dos Lagos); São Paulo (Ribeirão Preto e Mogi das Cruzes); os Estados da Bahia, Ceará e Pernambuco (Salvador, Fortaleza, Recife), no Nordeste; Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, na Região Sul.

 

“ O Brasil exporta cerca de 20 milhões de peixes ornamentais de água doce por ano, gerando receitas da ordem de 4 milhões de dólares, sendo que mais de 95% desses peixes são oriundos do extrativismo, principalmente das planícies e florestas inundáveis da bacia do médio rio Negro, na Região Amazônica”, afirma o professor Manuel Vasquez, do curso Produção de Peixes Ornamentais, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas.

 

Água

 

A qualidade da água é um fator preponderante para o sucesso da piscicultura. São vários os tipos de água utilizados em piscicultura, quanto à origem ou quanto à natureza, cada qual com suas vantagens e desvantagens.

 

A água de melhor condição para utilização em piscicultura é a captada diretamente de nascentes. Ela carrega pequena quantidade de material em suspensão, é isenta de peixes e outros invasores, dispensando o uso de filtros. No entanto, tem baixa concentração de oxigênio e baixa temperatura.

 

Quanto à água tratada, comum nas áreas urbanas , esta não deve ser diretamente utilizada nos peixes ornamentais, devido ao cloro empregado no processo de purificação. Ela deve ser deixada para descansar, no mínimo, por um período de 48 horas antes de ser colocada para os peixes.

 

Ambiente aquático

 

O ambiente aquático é influenciado pelo ar, pelo solo, pelo ecossistema terrestre adjacente e também pela intervenção humana, chamada de ação antrópica.

 

Na piscicultura comercial, o ecossistema é manipulado para manter o ambiente mais adequado possível às espécies que se está criando, buscando maximizar a produção de plâncton e de outros organismos que servem de alimento para os peixes.

 

O meio aquático possui características físicas e químicas que são influenciadas por fatores abióticos e bióticos. Os fatores abióticos, que afetam a qualidade da água, são o solo, a luz solar, o ar, a temperatura, entre outros; já os fatores bióticos são as comunidades que estão presentes na água, como o plâncton, os peixes, as algas e outros seres vivos.

 

Temperatura

 

A temperatura é a principal variável abiótica que afeta o metabolismo dos peixes. Uma variação de apenas um grau na temperatura corporal dos peixes ocasiona uma alteração de 8 a 10% em seu metabolismo.

 

Essas variações implicam em diferentes velocidades de crescimento, por exemplo; com a temperatura indo de 27 para 26ºC, ou outro valor, os peixes diminuiriam a demanda por alimento e oxigênio na mesma proporção, também em 10%, representando uma queda de produção.

 

Cada espécie de peixe possui uma faixa de temperatura ideal para o seu cultivo, que precisa ser respeitada. Para o Betta, a temperatura varia entre 24 e 29ºC; para o Guppy, varia entre 22 e 28ºC; para o Paulistinha, varia entre 20 e 27ºC; para o Barbo, varia entre 20 e 27ºC; para o Neon, varia entre 26 e 30ºC; para a Carpa, varia entre 20 e 28ºC e assim, sucessivamente.

 

Dureza da água

 

A “dureza” da água, isto é, a quantidade de sais (de cálcio e magnésio), que estão dissolvidos na água, pode ser medida pelo aparelho conhecido como densímetro. Alguns peixes exigem água “mole”, com poucos sais, como o acará disco; outros exigem água mais “dura”, com mais sais, como a molinésia; e existem os que toleram ambas as águas, como o guppy e o kinguio.

 

Oxigênio dissolvido

 

Existe um valor mínimo de oxigênio dissolvido, no qual uma espécie consegue sobreviver. Existe outro valor, acima desse mínimo, no qual a mesma espécie consegue se alimentar e crescer; e, ainda, tem-se um valor bem alto, que seria o limite máximo, a partir do qual pode ocorrer embolia nos peixes.

 

ESCALA DE TOLERÂNCIA AO OXIGÊNIO DISSOLVIDO

 

- Teor acima de 4,0 mg/l = Bom crescimento das espécies ornamentais;

- Teor entre 2,5 mg/L e 4 mg/l = Reduzem o consumo de alimento e a natação;

- Teor inferior a 2,0 mg/l = Muitas espécies de peixes não conseguem sobreviver.

 

Mas como medir o teor de oxigênio dissolvido na água? Em primeiro lugar, deve-se manter uma constante observação sobre as alterações de comportamento dos peixes. Quando eles começam a nadar na superfície, ou quando o cardume inteiro fica perto da entrada de água, apresentando apatia, são indícios de sinais da falta de oxigênio. Outro indício é a indiferença à presença de pessoas, quando o normal seria a fuga.

 

pH

 

Os peixes, de maneira geral, têm seu desenvolvimento mais satisfatório em águas próximas à neutralidade, com o pH entre 6,5 e 7,5. É importante observar que algumas espécies exigem água com pH fora dessa faixa. Peixes como o acará disco apresentam baixo crescimento e ficam mais susceptíveis a doenças, quando mantidos em água com pH acima de 7.

 

Vazão da água

 

Uma piscicultura de sistema semi-intensivo, em tanques de terra, deve possuir fonte de água com vazão de 8 a 10 litros por segundo, para cada hectare de lâmina d’água. Essa vazão é necessária para os modelos de tanques com circulação constante de água. Quando a necessidade for apenas manter o nível da água, repondo o que evapora ou infiltra no terreno, bastam de 25% a 40% dessa vazão.

 

Tipos de solo

 

O tipo mais indicado para uma piscicultura é o solo que possui teores de argila entre 30% e 50%, pois apresenta baixa permeabilidade e minimiza as perdas de água por infiltração. Solos com baixo teor de argila apresentam alta permeabilidade. Com isso, as perdas de água serão maiores e podem inviabilizar a atividade, ou exigir o uso de mantas impermeabilizantes, o que aumenta o custo de implantação do projeto.

 

Confira mais informações, acessando os cursos da área Piscicultura.

 

Por Andréa Oliveira

 

 

 

 

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Comentários

Roserlei Lawisch Finkler

20 de jan de 2013

Bastante interessante. Desperta a curiosidade com certeza. Estou interessada na criação de peixes ornamentais e vou pesquisar em tudo que puder. Fazer meu plano de negócios e ver a viabilidade na minha região.

Resposta do Portal Cursos CPT

21 de jan de 2013

Olá, Roserlei!

Ficamos felizes por sua visita e seu comentário em nosso site.

Para saber mais sobre a criação de peixes ornamentais, indicamos o curso Produção de Peixes Ornamentais, produzido pelo Centro de Produções Técnicas - CPT.

Atenciosamente,

Natália Parzanini Brum

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