Reprodução de cavalos: comportamento da égua e regras de higiene da monta

A égua só aceita o acasalamento no período do cio ou estro, ficando receptiva ao garanhão

Égua e garanhão

Durante o cio, a égua normalmente fica receptiva ao garanhão 

Nos mamíferos, com exceção dos primatas, a fêmea só aceita o acasalamento no período do cio ou estro. Essa fase do ciclo dura, em média, sete dias, variando o período no decorrer da estação de monta, sendo mais longo no início da primavera, diminuindo nos meses de dezembro e janeiro. A maioria das éguas para de ciclar durante as estações de outono-inverno, quando a luminosidade diária diminui. Esse período é chamado de anestro estacional. Os ovários se tornam inativos, uma vez que lhes faltam os estímulos oriundos da hipófise.

Comportamento da égua no cio ou estro

 

Durante o cio, a égua normalmente fica receptiva ao garanhão. Na presença dele, ela afasta lateralmente os posteriores, elevando a cauda e urina uma boa quantidade com odor característico. Em seguida, ela contrai a parte inferior da vulva o que expõe o clitóris, como é dito popularmente que a égua está “piscando”.

 

Comportamento da égua no diestro

 

Ela rejeita o garanhão, abaixando as orelhas, podendo morder e dar coices.

 

Detecção do cio

 

O tipo do rufião escolhido e a qualidade técnica do rufiador são os principais fatores de sucesso na detecção das éguas no cio. Diversos tipos de rufião são utilizados, entretanto, o melhor é o vasectomizado, desde que não o utilize solto junto às éguas. Os animais criptorquidas também poderão ser utilizados. Deve-se evitar o uso de animais de temperamento excessivamente agressivo e também o uso do garanhão, a fim de se evitar acidentes.

 

“Diversos são os sistemas de rufiação. A escolha do sistema depende muito da quantidade de éguas a rufiar, da condição (com potro ao pé ou não) e do tempo disponível”, afirma o professor Orlando Marcelo Vendramini, do curso Reprodução de Cavalos, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas.

 

Cavalos

O tipo do rufião escolhido e a qualidade técnica do rufiador são os principais fatores de sucesso na detecção das éguas no cio 

Um sistema que permite rufiar diversas éguas, quase ao mesmo tempo, é o Sistema Australiano, em que as éguas são colocadas uma atrás da outra, com um espaço suficiente entre elas para não serem atingidas por algum coice. Elas ficam separadas do rufião por uma cerca de varas ou de canos de ferro, de tal maneira que o rufião possa manter contato físico com cada uma delas individualmente. Com o auxilio da ultrassonografia hoje, detectamos os sinais internos de cio, tais como modificações do útero e o desenvolvimento folicular.

 

Regras de higiene da monta

 

Cuidados com o garanhão

 

A mucosa do pênis pode estar coberta de células descamadas. A cavidade prepucial e a fossa da uretra cobertas de esmegma. Essas secreções secam e podem irritar a mucosa e provocar edema na bainha prepucial, além de contaminar o sêmen.

 

A intervalos regulares (quinzenalmente ou mensalmente), deve-se limpar com água morna e sabão neutro e, depois, enxaguar bem o pênis do garanhão. Entretanto, é bom lembrar que a utilizaçã desta prática e, principalmente, quando se usa antissépticos, pode levar a um desequilíbrio da flora bacteriana, favorecendo a proliferação de germes patogênicos resistentes aos antissépticos.

 

Alguns criadores utilizam a prática de lavar o pênis com água morna, após cada cobertura, introduzindo-o dentro de um caneco comprido, próprio para isto.

 

Se for destro, posicione-se atentamente próximo ao lado esquerdo do cavalo e, com a mão direita, introduza devagar uma mecha de algodão molhado no interior da bolsa prepucial. Repita esta operação quantas vezes necessário e, a cada vez, com uma mecha nova retirada do balde.

 

Durante esta operação, deve-se explorar com o dedo a reentrância situada acima do processo uretral, para se remover qualquer acúmulo que ali se possa encontrar.

 

Cuidados com a égua

 

A égua não é sensível à pressão microbiana ao nível da vulva ou da vagina. Por outro lado, o útero, apesar de sua defesa imunológica, deve ser protegido de contaminações externas com:

 

- Limpeza da região perineal da égua antes da introdução de qualquer instrumento pela vagina;

- Introdução somente de material esterilizado na vagina e, principalmente, dentro do útero (luvas e sondas de inseminação, espéculo, entre outros). Tolera-se a utilização de luvas descartáveis, não esterilizadas, se a mão do operador ficar somente na vagina, sem penetrar no útero;

- Lavar o ânus e a vulva, de cima para baixo, com sabão neutro iodado e enxaguar;

- Limpar a região perineal ao redor da vulva e enxaguar;

- Por último, limpar a região abaixo do clitóris sem retornar à região vulvar. Esta operação deverá ser repetida duas vezes.

 

Cuidados com os reprodutores

 

O material utilizado para cobertura ou inseminação, que entra em contato com os órgãos genitais, deve ser descartável (papel absorvente, ligas para cauda, bainha descartável para vagina artificial – ou de vagina artificial para uso individual).

 

O caneco para lavagem do pênis do garanhão deve ser individual. O espéculo vaginal será lavado e esterilizado a cada manipulação ou, ainda, tolera-se a desinfecção em um balde contendo desinfetante.

 

Os riscos de transmissão de germes entre os reprodutores, por ordem decrescente, são os seguintes :

- A monta, devido ao contato íntimo das mucosas genitais;

- A inseminação artificial, que impede a transmissão de germes patogênicos da égua para o garanhão, mas não do garanhão para a égua;

- Contaminação intermediada, pelo material humano e/ou, de suporte utilizado, quer dizer, aqueles elementos susceptíveis de tocar o aparelho genital, como por exemplo, as mãos do apontador;

- Outro exemplo seria do Espéculo vaginal (Vaginoscópio) não esterilizado, utilizado em diversas éguas.

 

Confira mais informações, acessando os cursos da área Criação de Cavalos.

 

Por Andréa Oliveira

 

Cursos Relacionados

Curso Aparação de Cascos, Correção de Aprumos e Ferrageamento de Cavalos Curso Aparação de Cascos, Correção de Aprumos e Ferrageamento de Cavalos

Com Prof. Dr. Orlando Marcelo Vendramini

R$ 398,00 à vista ou em até 12x de R$ 33,17 sem juros no cartão

Frete Grátis 2 ou mais Cursos
Saiba mais
Curso Reprodução de Cavalos Curso Reprodução de Cavalos

Com Prof. Dr. Orlando Marcelo Vendramini

R$ 398,00 à vista ou em até 12x de R$ 33,17 sem juros no cartão

Frete Grátis 2 ou mais Cursos
Saiba mais

Deixe seu comentário

Avise-me, por e-mail, a respeito de novos comentários sobre esta matéria.

O CPT garante a você 100% de segurança e confidencialidade em seus dados pessoais e e-mail.
Seu comentário foi enviado com sucesso!

Informamos que a resposta será publicada o mais breve possível, assim que passar pela moderação.

Obrigado pela sua participação.

Outros artigos relacionados à área Criação de Cavalos

Últimos

Mais Lidos

Atendimento Online
Quer Facilidade