Apicultura - tratamento das doenças das abelhas adultas e parasitas das colônias

Com o controle sanitário das colmeias, os apicultores poderão evitar a disseminação de novas doenças prejudiciais à colmeia, como é o caso da Nosemose, da Acariose e da Amebíase

É imprescindível que os apicultores procedam ao controle sanitário das colmeias, sabendo detectar a presença de doenças.

É imprescindível que os apicultores procedam ao controle sanitário das colmeias, sabendo detectar a presença de doenças.


Visando ao aumento da produção, é imprescindível que os apicultores procedam ao controle sanitário das colmeias, sabendo detectar a presença de doenças. Com isso, poderão evitar a disseminação de novas doenças prejudiciais às colmeias, como é o caso da Nosemose, da Acariose e da Amebíase. Assim, o apicultor poderá tomar medidas imediatas, como o isolamento das colmeias atacadas, evitando a contaminação de seus apiários e dos apiários vizinhos.

Doenças de abelhas adultas e parasitas das colônias

Nosemose
É, sem dúvida, uma doença amplamente difundida no Brasil e sua ocorrência se dá entre o final do inverno e o início da primavera. Os sintomas diminuem ou desaparecem nos períodos mais quentes. É uma doença que provoca a mortalidade das abelhas adultas indistintamente, das abelhas operárias, das rainhas e dos zangões, com uma porcentagem que pode variar de 5% a 35%, dependendo do grau de infecção, das condições da colônia e do clima.  Como só ataca as abelhas adultas, ocorre substituição de abelhas velhas por novas, quando a rainha é de boa postura. Dificilmente, chega a exterminar uma colmeia por completo, mas economicamente a sua influência na produção de mel é de 5 a 100%, pelas seguintes razões:

- Manifesta-se na primavera, matando a maioria das abelhas campeiras. E é justamente nesse período do ano que tem a melhor florada;
- Diminui o ciclo de vida das abelhas;
- Provoca a substituição da rainha pelas abelhas.
- A prole não se desenvolve, porque as abelhas doentes não podem cuidar das larvas.

Agente etiológico
O agente causador é um microscópico protozoário intestinal denominado Nosema apis Lander. O protozoário pertence ao grupo dos Neosporídeos, ordem dos microsporídeos e família Nosematidae. Os esporos desse protozoário são os agentes infectantes e, quando ingeridos, germinam e penetram nas células do epitélio intestinal, onde se multiplicam, formando novos esporos, que caem provavelmente no lúmen intestinal, sendo eliminados pelas fezes. Quando a infecção é muito alta, tem sido observada a presença de esporos em outros tecidos da abelha, como as glândulas faringianas, acarretando um decréscimo na produção da geleia real e nos ovários da rainha, diminuindo, consequentemente, a sua postura.

Sintomas

Não existe nenhum macroscópico que caracterize facilmente esta doença, por isso sempre deve ser confirmada em exame de laboratório. As abelhas infectadas exibem movimentos como tremores, com dificuldade para voar e andar pelo chão. O abdome fica geralmente inchado (distendido) e brilhante. O intestino delgado apresenta estrutura frágil e de cor branca leitosa. Na abelha sadia, o intestino tem a cor mais amarelada. Puxando-se o intestino da abelha doente, ele se rompe facilmente.

Tratamento
O tratamento mais eficiente é com antibiótico específico, Fumagilina, vendido pelo nome comercial de FUMADIL – B (Bicychohexilaumonio de Fumagilina). Essa droga mata somente a forma vegetativa. O conteúdo de um frasco deve ser diluído em 24 L de xarope e administrado em cerca de 20 colônias. A operação deve ser repetida quatro vezes, em um total de duas semanas. O xarope com Fumidil pode ser dado às abelhas em alimentadores, ou borrifados sobre os quadros. Devem ser retirados os quadros com mel para forçar as abelhas a se alimentarem com xarope medicamentado. Alguns autores recomendam a utilização de ácido acético 80% para a destruição dos esporos. A medida preventiva é trocar os quadros e somente utilizar os quadros tratados.

A acariose paralisa as asas ou músculos de voos da abelha.

A acariose paralisa as asas ou músculos de voos da abelha.

Acariose
Essa doença ocorre no Brasil, principalmente no sul do país (Rio grande do Sul e Santa
Catarina).

Agente etiológico
“O agente etiológico é um ácaro endoparasita denominado Acarapis woodi. Possui cerca de um décimo de centímetro de comprimento e é, provavelmente, um parasita específico de Apis mellifera”, afirma o professor Paulo Sérgio Cavalcanti Costa, do curso Apicultura Migratória, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas.

Vive no interior das traqueias na parte anterior do tórax das abelhas. Esse ácaro entra nas abelhas através do primeiro espiráculo respiratório, que se liga com a traqueia torácica. Depois de alojada, a fêmea começa a postura de ovos, os quais eclodem 3 a 4 dias depois, completando o desenvolvimento após 14 dias da eclosão. As abelhas mais velhas são imunes ao ácaro, porque estas possuem os pelos mais duros, impedindo que o ácaro as penetre. Esses pelos servem de proteção, logo, não conseguindo atravessar o espiráculo, não conseguem penetrar na traqueia local onde suga a hemolinfa do tórax. Como o ácaro não consegue infectar as abelhas, necessita de hospedeiro vivo para se desenvolver. Quando alojados na abelha, perfuram as paredes das traqueias para alimentação, emitindo toxinas prejudiciais às abelhas que também permitem a proliferação de doenças fúngicas, bacterianas ou viroses secundárias, debilitando o organismo destas.

Sintomas
O sintomas confundem-se com os de outra doença, por isso a confirmação deve ser feita em laboratório. O principal sintoma dessa doença é a presença de abelhas, na frente da colmeia, com as asas desconjuntadas, impossibilitadas de voar. A paralisia parece ser proveniente de uma toxina secretada pelo ácaros, enquanto estão sugando a hemolinfa da abelha parasitada. Essa toxina paralisa as asas ou músculos de voos da abelha.

Tratamento
Para tratamento, os medicamentos mais usados e eficientes são:
- Nitrobenzeno ou Silicato de metila;
- Cartões enxofrados.

O tratamento com Silicato de Metila ou Nitobenzeno é recomendado em épocas quentes para facilitar a sua evaporação. Para o uso de cartões enxofrados, deve-se colocar um desses cartões no fumigador, em cima das brasas ou do material de uso comum e, depois de conseguir uma boa fumaça, dirigir umas quatro baforadas pelo alvado de colônias com abelhas atacadas, ao anoitecer, quando todas as campeiras estão dentro da colmeia. Para acabar completamente com o parasita, devem ser feitas três aplicações com 12 dias de intervalo. Se necessário, levante a tampa para permitir a saída da fumaça e depois feche. O excesso de fumaça por período prolongado pode matar as abelhas.

Amebíase
Esta doença é muito difundida e ocorre com nível de Tubos de Malpigi das abelhas adultas.

Agente etiológico
É um protozoário denominado Malpigeamoeba mellificae. Esse protozoário penetra na abelha via oral, por intermédio de materiais fecais ou pela água. Logo após a sua penetração no trato intestinal da abelha, ele passa para os Tubos de Malpigi onde se reproduz nas células epiteliais. As células mortas caem nos Tubos de Malpigi, passam para o intestino, posteriormente, para a ampola retal e daí para o meio externo onde são liberados os cistos, que podem ser ingeridos pelas abelhas novamente, começando o ciclo em outra abelha.

Sintomas
Os sintomas são muito semelhantes aos da Nosemose. Observa-se uma mortalidade pronunciada, quando ocorrem casos de ataque bastante agudos. O ciclo anual da Amebíase e Nosemose em uma colônia é quase idêntico.

Tratamento
É semelhante ao da Nosemose. Fazer a desinfecção do material usado em colmeias infectadas, utilizando ácido acético glacial em câmara hermeticamente fechada.

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Leia outro artigo relacionado ao tema: Apicultura - doenças da cria das abelhas e tratamento.

Por Andréa Oliveira

 

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