Bicho-mineiro das folhas do cafeeiro - reconhecimento e controle

O bicho-mineiro é considerado a principal praga do cafeeiro, por ser sua ocorrência generalizada nos cafezais e pelos prejuízos quantitativos e econômicos causados por esse inseto na produção de café

O bicho-mineiro recebeu este nome vulgar pelo fato de a lagarta minar as folhas do cafeeiro. Foto: reprodução.

O bicho-mineiro das folhas do cafeeiro, Leucoptera coffeellum, foi disseminado, no Brasil, a partir de 1851, por meio de mudas de café, provenientes das Antilhas e da Ilha de Bourbon. É uma praga restrita à região Neotropical (América do Sul e Central e à maior parte das ilhas do Caribe). Atualmente, é considerado a principal praga do cafeeiro, por ser sua ocorrência generalizada nos cafezais e também pelos prejuízos quantitativos e econômicos causados por esse inseto na produção de café. O bicho-mineiro recebeu este nome vulgar pelo fato de a lagarta minar as folhas do cafeeiro. É uma praga monófaga, ou seja, só ataca o cafeeiro.  

Biologia do bicho-mineiro

As mariposas (adultos) do bicho-mineiro são microlepidópteros de hábito crespuscular-noturno. São bem pequenos, medindo aproximadamente 6,5 mm de envergadura, coloração geral prateada, apresentando em cada ponta das asas anteriores uma mancha circular preta e de halo amarelado. As asas posteriores são franjadas. Quando em repouso, as asas anteriores cobrem as posteriores. Durante o dia, as mariposas ocultam-se sob as folhas dos cafeeiros, na metade inferior das plantas. Para vê-las, basta agitar a folhagem do cafeeiro a fim de que saiam voando. À tardinha, início do anoitecer, abandonam o esconderijo e iniciam suas atividades.

Minas ou lesões nas folhas

“As minas ou lesões nas folhas, causadas pelo bicho-mineiro, transformam-se em áreas necróticas, mortas, e, consequentemente, em uma menor área fotossintetizadora, afirmam os professores Júlio César de Souza e Paulo Rebelles Reis, do curso Pragas do Cafeeiro – Reconhecimento e Controle, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas.

Como resultado do ataque do bicho-mineiro, ocorre, no período seco do ano, a queda das folhas minadas a partir do topo das plantas. Foto: reprodução.

Queda das folhas minadas

Como resultado do ataque do bicho-mineiro, ocorre, no período seco do ano, a queda das folhas minadas a partir do topo das plantas. Dependendo da intensidade de infestação da praga, ocorrem desfolhas drásticas dos cafeeiros na época das floradas, com consequente redução na produção de café na safra seguinte. Mesmo nas infestações antecipadas do inseto, como, em abril, as folhas minadas também caem, resultado da presença de minas ou lesões nelas.  Como o cafeeiro no Sul de Minas vegeta até maio, em uma grande emissão de folhas, a queda destas, nesse período, não resulta em desfolha drástica das plantas como aquela verificada no período seco do ano.

Controle biológico natural

O controle biológico natural ocorre pela ação dos parasitoides (microhimenópteros) e vespas predadoras, encontrados naturalmente nas lavouras de café. Estes insetos procuram nas minas ou lesões das folhas dos cafeeiros, lagartas do bicho-mineiro para parasitar ou predar. Alguns patógenos (bactérias e fungos) podem ocorrer, causando doenças e mortes em lagartas do bicho-mineiro. As bactérias Erwinia herbicola e Pseudomonas aeruginosa são apontadas como os microrganismos mais eficientes, até agora conhecidos, em epizootias de lagartas de bicho-mineiro. Os microhimenópteros parasitam e matam as lagartas do bicho-mineiro. Já as vespas predadoras, que constroem os seus ninhos, nos próprios cafeeiros ou em árvores e arbustos e outros suportes próximos das lavouras de café, voam e procuram, nas plantas, as lesões. Em seguida, rasgam com a mandíbula a epiderme da folha, na lesão, retiram as lagartas e as comem.

Os inimigos naturais auxiliam o cafeicultor no controle do bicho-mineiro. A presença desses insetos e patógenos, nas lavouras de café, limita o controle químico dessa praga em determinadas épocas do ano. A eficiência dos insetos predadores está em torno de 69% de controle e dos parasitoides, em torno de 18%. No entanto, sob condições climáticas ideais, em determinadas épocas do ano, a infestação do bicho-mineiro evolui rapidamente, ocasião em que os inimigos naturais, por si só, não mais controlam a praga eficientemente, devendo o cafeicultor lançar mão também do controle químico.

Controle químico - inseticidas granulados no solo

Os inseticidas sistêmicos granulados destacam-se pela elevada eficiência no controle do bicho-mineiro e pela importância que eles exercem no moderno conceito de manejo integrado de pragas. Estes devem ser aplicados no período chuvoso, no início ou ao seu final, dependendo da natureza dos produtos recomendados. Sua aplicação deve ser feita no solo, com incorporação, sempre que houver umidade, evitando-se, assim, qualquer contaminação de águas, pela erosão laminar, além da morte de aves, de animais e até do homem. Esta incorporação pode ser feita com o auxílio de granuladeiras (tratorizada ou tração animal), matracas e outros aplicadores próprios.

A partir de sua aplicação no solo, os inseticidas granulados protegem os cafeeiros por um período máximo de 110-160 dias, aproximadamente, ou um pouco mais, dependendo de sua natureza (lipofílica ou polar), da dosagem e da época de sua aplicação dentro do período chuvoso. Da mesma forma, dependendo de cada produto, gastam de 25 a 40 dias para que sejam absorvidos pelas raízes e levados à parte aérea do cafeeiro (folhas) via xilema, quando é iniciado o controle do bicho-mineiro. Já atuando, matam as lagartas da praga, presentes em algumas poucas lesões nas folhas e previnem posteriores infestações. Esses produtos, uma vez absorvidos pelos cafeeiros via xilema e acumulados nas folhas, voltam ao floema e, depois, ao xilema para serem posteriormente levados e depositados em folhas novas emitidas nas extremidades de ramos, protegendo-as.  Os inseticidas recomendados são o Aldicarb, Carbofuran, Disulfoton, Phorate ou Thiamethoxan.

Inseticidas em pulverização

O bicho-mineiro também pode ser controlado por meio da aplicação de inseticidas em pulverização, em talhões, após constatação de 20% ou mais de folhas minadas no terço superior dos cafeeiros, em regiões de clima quente, ou 30% ou mais de folhas minadas, nos terços médio e superior, em regiões de clima ameno, como o Sul de Minas, considerando-se somente as folhas minadas com minas intactas, de qualquer tamanho, inclusive aquelas diminutas, denominadas de “cabeça-de-alfinete”. Portanto, devem-se descontar as folhas minadas com todas as suas minas ou lesões dilaceradas (rasgadas) por vespas, ou aquelas com todas as suas lesões sem epiderme superior. O controle químico deve ser feito somente nos talhões ou parte de talhões mais infestados, a fim de auxiliar na preservação dos inimigos naturais. Os inseticidas recomendados são o Carbamato Cartap, alguns fosforados (Chlorpyrifos-etil, Dimetoato, Ethion, Fenitrothion, Fenthion e Triazophos) e os piretroides (Betacyflutrin e Cyfluthrin).

Os inseticidas fosforados e o Cartap apresentam efeito de choque e uma ótima ação de profundidade, penetrando na folha e matando as lagartas da praga no interior das minas ou lesões. Como desvantagem, apresentam um curto efeito residual, aproximadamente de 20 a 35 dias, dependendo do produto. Ao contrário, os inseticidas piretroides apresentam um longo efeito residual e, praticamente, nenhuma ação de profundidade, não devendo, portanto, ser aplicados isoladamente, quando a praga já estiver ocorrendo no campo. Assim, a atuação dos inseticidas piretroides, pulverizados nas folhas, só se dará naquelas lagartinhas que eclodem dos ovos postos após a pulverização, pois estas penetram nas folhas para iniciar a formação das minas pela alimentação, ocasião em que ingerem o alimento, junto ao inseticida, e morrem.

Os inseticidas recomendados para o controle do bicho-mineiro em pulverização poderão ser utilizados:

- Em regiões cafeeiras, nas quais as infestações desse inseto são menores, em razão do clima ameno, tal como ocorre no Sul de Minas, onde se recomendam até duas pulverizações por ano;
- Para complementar, durante o ano, o controle dos inseticidas granulados sistêmicos, naquelas regiões em que sempre ocorrem altíssimas infestações do bicho-mineiro, devido ao clima favorável;
- Em qualquer região cafeeira, onde poderão ser feitas até três pulverizações por ano;
- Em qualquer uma das três situações, cada pulverização a ser realizada dependerá de levantamentos da infestação do inseto nos talhões da lavoura.

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Por Andréa Oliveira.

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Comentários

Jilvalci Avelar de Souza

6 de mai de 2018

muito bom

Resposta do Portal Cursos CPT

7 de mai de 2018

Olá Jilvaci,

Ficamos felizes que tenha gostado do nosso conteúdo.

Atenciosamente,

Ana Carolina dos Santos

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