Por que as pastagens degradam? O que fazer? Tire suas dúvidas

Dentre as ações de manejo desequilibradas que provocam a degradação de uma pastagem estão o excesso de animais pastejando, o superpastejo; e a falta de pastejo, o subpastejo

Pastagens

Dentre as ações de manejo desequilibradas que provocam a degradação de uma pastagem estão o excesso de animais pastejando, o superpastejo; e a falta de pastejo, o subpastejo. O subpastejo é caracterizado pela sobra de forragem proporcionado pela falta de pastejo e por seu consequente envelhecimento. Segundo Humberto Sório Júnior, professor do Curso CPT Pastoreio Voisin para Gado de Corte, "Em áreas onde o gado pasteja, repetidamente, as plantas não se recuperam muito rápido, de modo que a forrageira usa as reservas energéticas que tendem a se esgotar, à medida que se repete o pastejo".

1- Quais as consequências do superpastejo?

O superpastejo quebra o equilíbrio entre a reciclagem de nutrientes acumulados do resíduo vegetal e o crescimento da gramínea.

O superpastejo quebra o equilíbrio entre a reciclagem de nutrientes acumulados do resíduo vegetal e o crescimento da gramínea, visto que os nutrientes da forragem não consumida que permanece no solo são reaproveitados pelas plantas forrageiras. Além disso, reduz o vigor das plantas, a capacidade de rebrotação e produção de sementes. A consequência desses efeitos do superpastejo sobre a pastagem é a menor produtividade e a menor capacidade de competição com as invasoras e as gramíneas nativas.

2- Quais as consequências do subpastejo?

O subpastejo descontrolado gera pastagem degradada, de plantas frágeis, com muitos talos e poucas folhas tenras, resultando em pior qualidade de alimento para o gado, além de muitas plantas morrerem, abrindo-se clareiras que passam a ser ocupadas por outras plantas, normalmente, não consumidas pelo gado. Dependendo do grau de degradação, é necessário que o fazendeiro faça a renovação da pastagem, o que é trabalhoso e de alto custo.

3- O que evidencia a degradação física do solo?

Alta resistência, limitações de aeração e a alta suscetibilidade à erosão são fortes indícios de degradação física do solo.

4- Quais tipos de degradação o solo pode sofrer?

a- Degradação biológica
Se associa à redução de matéria orgânica e da atividade e diversidade de organismos de solos.

b- Degradação química
É reflexo da retirada ou saída de nutrientes do solo ou acúmulo de elementos tóxicos ou desbalanceados que prejudicam o crescimento da planta.

c- Degradação de forragens
Pode ser avaliada durante as seguintes etapas:
- Implantação e estabelecimento das pastagens;
- Utilização das pastagens (ação climática e biótica, práticas culturais e de manejo);
- Queda do vigor e da produtividade - efeito na capacidade suporte;
- Queda na qualidade nutricional - efeito no ganho de peso do animal;
- Degradação de recursos naturais.

5- Que medida tomar para evitar a degradação das pastagens?

Fazer excelente manejo das mesmas. O manejo da pastagem permite o equilíbrio entre o rendimento e a qualidade da forragem produzida e a manutenção da composição botânica desejada para o pasto, resultando em ótima produção de animal por área. É essencial conhecer as inter-relações dos componentes envolvidos no controle e na manipulação dos sistemas de pastejo. Estima-se que a degradação das pastagens tenha afetado 50% das áreas cultivadas no Brasil, estando geralmente associada a fatores ligados ao estabelecimento da forrageira e de manejo.

6- Qual a melhor alternativa para recuperar pastagens degradadas?

Estima-se que aproximadamente 25% das pastagens cultivadas do Brasil ou 50 milhões de hectares já estejam seriamente degradadas. Recuperar essas pastagens constitui prioridade para se ampliar a produção pecuária e promover a melhoria da renda dos pecuaristas. Entretanto, surgem muitas dúvidas quanto a forma mais adequada de se fazer a recuperação dessas pastagens, considerando-se que os métodos normalmente recomendados pela técnica convencional (mecanização, adubação e novo plantio) são quase sempre inacessíveis a grande maioria dos produtores. A primeira providência para se recuperar natural, racional e economicamente uma pastagem, portanto, é fazer a divisão da área de pastagem em parcelas a serem manejadas e tratadas, de forma individual e específica. Com essa providência inicial, o simples manejo racional, que possibilita à pastagem o repouso necessário após cada ocupação, é suficiente para recuperar a maior parte da pastagem. Alguns piquetes com degradação média demandarão mais cuidados, como repousos mais prolongados e talvez um sobressemeio de sementes de espécies forrageiras. Apenas um número reduzido de parcelas poderá necessitar de um "tratamento de choque", que poderá incluir os métodos convencionais.

7- A degradação acontece de forma igual em todo o pasto?

Não. A degradação nunca é homogênea em uma mesma área. Sempre existem áreas com maior e menor nível de degradação. Quando a área não está dividida em parcelas (piquetes), é usual aplicar o mesmo processo de recuperação na área toda. Geralmente, esses processos envolvem a mecanização da área e novo plantio, o que muito onera a empreitada. A recomendação para a recuperação racional é a imediata aplicação sobre a área, de um Sistema de Pastoreio Racional Voisin com cerca de 20% a mais no número de piquetes.  Essa providência permite classificar os piquetes de acordo com o estágio de degradação e dar a cada um o tratamento necessário.

8- Aplicando-se o Sistema de Pastoreio Racional Voisin em pastos degradados, o que poderá ser observado pelo produtor?

O produtor poderá observar que, possivelmente, em torno de 60% dos piquetes não demandam tratamento algum, além do manejo racional; outra parte, em torno de 30%, requer providências leves, como repousos mais prolongados, e sobressemeio de sementes de espécies forrageiras e de árvores. Apenas os 10% restantes poderão requerer tratamento mais intensivo que, nesse caso, pode até ser a reforma convencional. O custo da reforma racional é muito mais econômica que a convencional.

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Por Silvana Teixeira.

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