Ensilagem - estratégia de sucesso na alimentação de gado de corte e leite

A ensilagem é um processo de conservação de forragem que tem sido amplamente utilizado com a finalidade de produção de alimento volumoso (silagem) de boa qualidade, durante todo o ano

Ensilagem

Define-se silagem como sendo o produto resultante da fermentação da planta forrageira na ausência de ar, finamente picada e acondicionada rapidamente em estrutura de armazenagem. Vale ressaltar que a ensilagem não é um método para melhorar o valor nutritivo de plantas forrageiras, mas, sim, um método que visa a preservação dos nutrientes dessas plantas.


A ensilagem é um processo de conservação de forragem que tem sido amplamente utilizado com a finalidade de produção de alimento volumoso (silagem) de boa qualidade, durante todo o ano, permitindo o aproveitamento do excesso de forragens do período das águas para fornecimento aos animais, durante o período seco, quando ocorre uma diminuição qualiquantitativa das forrageiras.

“Esta estratégia é muito importante, principalmente, para empreendimentos de exploração intensiva com vacas leiteiras ou bovinos em confinamento, onde a exigência por volumoso de boa qualidade é maior”, afirma o professor Josvaldo Ataíde Júnior, do curso Produção de Silagem, produzido pelo CPT – Centro de Produções Técnicas.

O objetivo da ensilagem é conseguir, dentro da massa ensilada concentração de ácido lático, produzido como resultado da presença de microrganismos dentro da cultura cortada, suficiente para inibir outras formas de atividade microbiana e, assim, preservar o material até que ele possa ser utilizado pelos animais.

Existe um grande número de trabalhos dando ênfase às ensilagens de milho e sorgo, indicadas como as forrageiras mais adequadas para a ensilagem. Entretanto, poucas são as observações relativas a ensilagem de outras gramíneas tropicais, com exceção dos capins do grupo elefante, que já foram razoavelmente estudados em nosso meio.

Em princípio, qualquer espécie forrageira, anual ou perene, pode ser ensilada. Entretanto, o milho é a espécie forrageira que tem sido mais utilizada na produção de silagens, em função, principalmente, de seu alto conteúdo de energia, além da facilidade de mecanização na ensilagem e da alta produção de matéria seca/ha.

Milho
Para ensilagem, o milho é cortado com 102 a 119 dias, estágio de crescimento em que se obtêm os melhores rendimentos e a melhor qualidade da silagem. Além do mais, neste estágio vegetativo, dependendo da variedade, a planta contém de 28-35% de matéria seca, correspondendo, em termos práticos, ao ponto farináceo ou pós-farináceo dos grãos.

Em geral, os milhos híbridos de ciclo normal ou tardio têm ciclo de 130-150 dias até a maturação fisiológica, os de ciclo menor até 120 dias e os mais precoces de 105-110 dias. Os híbridos de ciclo normal, comparados aos precoces tendem a produzir menos grãos por área, ou pelo menos igual produção.

ensilagem

A ensilagem não é um método para melhorar o valor nutritivo de plantas forrageiras, mas sim um método que visa a preservação dos nutrientes dessas plantas

Entretanto, este aspecto é mais importante à produção de grão; para a produção de silagem deve-se estar atento também para a produção de MS. Geralmente, os produtores têm utilizado cultivares de porte alto com elevada produção de MS, porém, isto pode comprometer o valor nutritivo das silagens, já que as silagens de melhor qualidade têm sido obtidas quando se ensila materiais que apresentem de 40 a 50% de MS de grãos na MS total.

Os aspectos mais relevantes para se obter uma silagem de boa qualidade e bom valor nutritivo são:
- Promover a vedação eficiente usando, sempre que possível, um material pesado para cobertura do plástico, se a densidade da silagem for baixa ou a forragem de alto teor de MS;
- Colher a planta no estádio certo para obtenção de produção mais elevada de MS de bom valor nutritivo;
- Usar, sempre que possível, silos do tipo bunker ou trincheira, objetivando minimizar perdas por aeração e facilitar o manejo de enchimento, armazenamento e descarregamento;
- Estabelecer culturas para grande produção de matéria seca por unidade de área, através da obtenção de um stand adequado e de adubações corretas;
- Adotar, quando necessário, o uso de aditivos para elevar o teor proteico e reduzir a umidade;
- Isolar do ar as camadas de forragem colocadas no silo o mais rápido possível, adotando o fechamento por etapas nas estruturas grandes;
- Empregar a compactação e técnicas de enchimento de silo, a partir de camadas paralelas grossas, para produção de silagens de melhor estabilidade e com perdas reduzidas;
- Remover a silagem sem promover distúrbios na massa remanescente no silo e fornecer aos animais o mais rápido possível, retirando camadas paralelas de 10 a 30 cm por dia.

Sorgo
Assim como o milho, o sorgo é um cereal que está sendo bastante utilizado na confecção de silagem para a pecuária tanto leiteira como de corte. Apesar de se saber que esta planta possa fornecer silagens de excelente qualidade quando bem manejadas, as informações na literatura são bem mais escassas que as sobre a cultura do milho.

No Brasil, a produção de matéria seca obtida com o sorgo tem variado de 11 a 18 ton/ha. E, segundo TONANI (1995), esta cultura representa aproximadamente 10 a 12% da área total de silagem produzida no Brasil.

O valor nutritivo do sorgo representa 80 a 90% da silagem de milho, porém, é uma planta resistente à seca, menos exigente em fertilidade e que pode dar mais de um corte por plantio, sendo que na rebrotação, a produção de MS pode chegar a 60% do primeiro corte.

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Existe um grande número de trabalhos dando ênfase às ensilagens de milho e sorgo, indicadas como as forrageiras mais adequadas para a ensilagem


Têm sido selecionadas, para produção de silagem, cultivares de sorgo com baixos teores de tanino nos grãos em função da correlação negativa entre o teor de tanino e a digestibilidade da proteína bruta.

Atualmente, os estudos estão direcionados também para se obter híbridos que apresentem um bom equilíbrio na produção de colmos/folha/panículas, visto que a presença de uma maior ou menor proporção de um desses componentes na planta exercerá efeitos positivos ou negativos sobre a qualidade da silagem.

O preparo do solo, calagem, fertilização e tratos culturais são parecidos com os utilizados na cultura do milho. Entretanto, o sorgo pode ser implantado em solos menos férteis e em regiões com precipitações pluviométricas mais baixas (500 a 600 mm), apresentando resposta menos eficiente à irrigação que o milho.

Quanto ao valor nutritivo, as silagens de sorgo têm apresentado valores bastante variáveis, por causa da grande variabilidade genética da espécie. são as variedades de sorgo granífero que garantem silagem de melhor qualidade, pois apresentam maior proporção de grãos em relação à massa verde, encontrando-se neles a maior fração energética disponível da planta.

Capim-elefante
Apesar de ser relativamente fácil obter boa silagem de milho ou sorgo, é também possível conseguir silagens de capim, principalmente elefante, de média a boa qualidade.  Esta gramínea vem se destacando para ensilagem face a sua produtividade, elevado número de variedades, grande adaptabilidade, facilidade de cultivo, boa aceitabilidade pelos os animais e bom valor nutritivo, quando nova.

Apesar dos capins do grupo elefante apresentarem teores de carboidratos solúveis inferiores, mas relativamente próximos ao recomendado, sua superioridade, em relação a outros capins, como por exemplo Brachiaria, colonião, gamba, jaraguá e pangola, pode ser observada de forma marcante.

O capim-elefante destaca-se como a espécie forrageira mais promissora e com maior potencial para a ensilagem, desde que corrigido seu excesso de umidade, quando colhido em estágio vegetativo novo.

Assim, para ensilar os capins do grupo elefante, cortados aos 50-60 dias de desenvolvimento, o fator básico e limitante na conservação do material é o excesso de umidade, uma vez que altos conteúdos de água (75-80%) foram significativamente correlacionados com os constituintes indicadores de baixa qualidade, ou seja, ácido butírico, bases voláteis e amônia.

O valor nutritivo da silagem de capim-elefante é bem inferior ao das silagens de milho e sorgo, principalmente em relação a DIVMS, NDT e, consequentemente, consumo de MS. Portanto, torna-se necessário o uso de suplementação tanto proteica, quanto energética.

O produtor rural tem várias opções de escolha de aditivos para enriquecer sua silagem, mas não é fácil determinar quais as vantagens que um produto deve oferecer, quando deverá ser utilizado e o retorno esperado.

Os produtos comerciais normalmente são inoculantes bacterianos, NNP, enzimas, ácidos, açúcares e sal. Cada tipo de produto possui características próprias em termos de atividade, que irão proporcionar benefícios ao produtor. A eficácia destes produtos dependem do manejo adequado da ensilagem, como enchimento rápido, boa compactação, vedação e taxa de esvaziamento adequada.

A composição e a qualidade nutritiva das silagens podem ser alterada, consideravelmente, pela adição de aditivos que podem atuar de duas maneiras sobre a silagem: influenciando o caminho da fermentação para melhorar a preservação e alterando a composição para aumentar o valor nutritivo.

ensilagem

O milho é o mais utilizado na produção de silagens por seu alto conteúdo de energia, facilidade de mecanização na ensilagem e alta produção de matéria seca/ha

Essas substâncias, que têm sido adicionadas à silagem, podem ser classificadas dentro de categorias: estimuladores de fermentação; os inibidores de fermentação; e as que alteram a composição.

A decisão de se utilizar os aditivos deve ser baseada nas características da forrageira e dos animais a serem alimentados. Para que o aditivo seja considerado de utilidade no processo de ensilagem, é necessário que tenha certas qualificações: a) o seu custo deve ser menor que o valor da silagem inaproveitada sem a sua aplicação; b) deve proporcionar um tipo de fermentação mais eficiente; c) deve produzir uma silagem de maior valor energético e/ou proteico do que a mesma sem aditivo e; d) deve ser de fácil aplicação e não deixar resíduos tóxicos.


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Por Silvana Teixeira

 

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