Serpentes venenosas - alguns cuidados essenciais garantem sucesso na criação

O aspirante a criar serpentes venenosas deve saber que os locais onde as cobras irão viver precisam ter boas estruturas físicas, que garantam um ambiente bem próximo ao natural, seguro e livre de predadores

A cobra coral verdadeira tem hábito fossorial, ou seja, vive sob o solo, em galerias subterrâneas

A cobra coral verdadeira tem hábito fossorial, ou seja, vive sob o solo, em galerias subterrâneas

As serpentes colaboram, e muito, para o equilíbrio do nosso ecossistema, além de serem nossas aliadas no controle de doenças, pois combatem os roedores. Sem contar que o veneno destes répteis é empregado em inúmeras indústrias para produção de medicamentos para tratamento de câncer, hipertensão, cola cicatrizante, analgésicos e fabricação do soro contra os efeitos malignos da sua picada no organismo humano. O próprio Instituto Butantã já produziu alguns medicamentos formulados com o veneno da serpente: um para pacientes que aguardam transplante de rim e outro para bebês que nascem prematuros.

Local de criação semelhante ao habitat natural

 

O aspirante a criar serpentes venenosas deve saber que os locais onde as cobras irão viver precisam ter boas estruturas físicas, que garantam um ambiente bem próximo ao natural, seguro e livre de predadores. É necessário lembrar que a serpente é a matéria-prima do seu negócio de extração de veneno. No entanto, este réptil deve ser muito bem tratado para que não fique doente ou se machuque. Por isso, paciência e dedicação são atributos necessários para quem quer criar serpentes, afinal elas podem surpreender as pessoas.

 

A suacuboia tem hábito arborícola, ou seja, vive acima do solo, em árvores e arbustos

A suacuboia tem hábito arborícola, ou seja, vive acima do solo, em árvores e arbustos 

Habitat conforme a espécie

 

As serpentes utilizam diferentes habitats, variáveis de espécie para espécie. Vejamos:

 

- Cascavel (Crotalus durissus) : Tem hábito terrícola, ou seja, vive no chão;

- Suaçuboia (Corallus arbustos. Hortulanus) : Tem hábito arborícola, ou seja, vive acima do solo, em árvores e arbustos;

- Cobra d’água (Helicops spp.): Tem hábito aquático, ou seja, vive na água;

- Coral verdadeira (Micrurus spp.) : Tem hábito fossorial, ou seja, vive sob o solo, em galerias subterrâneas;

- Corre campo (Echinanthera spp.) : Tem hábito criptozoico, ou seja, vive sobre a serrapilheira que cobre o chão;

- Jiboia (Boa constrictor) : Tem hábito semiarborícola, ou seja, vive tanto no chão quanto em árvores e arbustos;

- Salamanta (Epicrates spp.) :Tem hábito semiaquático, ou seja, vive tanto na água quanto no chão.

 

Hábitos alimentares

 

As serpentes são carnívoras e, quando se alimentam, ingerem suas presas inteiras. Sua mandíbula permite uma grande abertura da boca. Elas se alimentam de anfíbios, lagartos, pintinhos, peixes, outras serpentes e, principalmente, camundongos. O tipo de alimentação varia de acordo com a espécie e com o tamanho da serpente. As pessoas que criam serpentes como animais de estimação, já têm a opção de escolher entre oferecer alimentos vivos ou mortos para elas. Já em criatórios com fins comerciais a preferência é pela oferta dos animais vivos.

 

"As serpentes se irritam facilmente após se alimentarem. Caso fiquem estressadas, regurgitam o alimento. Portanto, fique atento e ofereça tranquilidade e sossego para esses répteis. Mantenha sempre um recipiente com água de boa qualidade, pois as serpentes costumam consumir água antes ou após as refeições", afirmam os professores Stefan Tutzer, Renato Neves Feio e Henrique Caldeira Costa, do curso Criação de Serpentes para a Produção de Veneno, elaborado pelo CPT - Centro de Produções Técnicas.

 

Cuidados no momento da limpeza

 

Em todo o serpentário, sempre que for mexer com as serpentes, independente do tamanho delas, os cuidados, os equipamentos e utensílios de manejo e proteção devem estar disponíveis para evitar acidentes. Procure remover todas as serpentes do local, inclusive procure atrás de tocos, pedras e na água para evitar ataque-surpresa. Nunca passe sobre as cobras. Limpe bem o local, lavando os lagos e trocando a água: as serpentes não devem ficar sem consumir água por longos períodos, pois isso as fazem adoecer em poucos dias.

 

Caso o local seja gramado, apare a grama e recolha o mato cortado. Após a limpeza, faça aplicações de cal e de Neguvon a 1% por todo o serpentário. O cal deve ser aplicado em todos os cantos, inclusive dentro dos esconderijos, pois evita proliferação de diversos microrganismo. O Neguvon deve ser usado da mesma maneira, pois auxilia no combate a ácaros e piolhos, muito comuns nesses répteis.

 

Controle sanitário do lote

 

Os cuidados com a saúde dos animais do serpentário é de extrema importância, afinal, para se ter um criadouro, deve-se manter os animais sadios, em pleno desenvolvimento e vigor para que eles possam se reproduzir, ampliando o plantel e para produzir o veneno . É essencial que o criador ofereça condições de conforto e cuidados especiais para que os animais vivam bem e produzam sem sacrifícios.

 

As boas condições do local onde os animais vivem, a manutenção e o manuseio correto garantem longevidade. É essencial para o sucesso de um criatório a observação constante dos animais, pois quaisquer doenças não detectadas levam o animal a entrar em um processo de anorexia, perda de peso, de massa, e isso é de difícil recuperação. Portanto, fique atento ao comportamento dos répteis. As doenças mais comuns apresentadas pelos animais em um serpentário são de origem bacteriana (pneumonia e estomatite), ou vinculada a endoparasitas (trematoides e nematoides).

O tratamento se dá por via oral, ou aplicações no animal. Geralmente, são tratados com antibióticos, soros, complexos e outros medicamentos. Mas lembre-se de que as serpentes precisam que os medicamentos sejam prescritos por médico veterinário ou um biólogo especializado no assunto e com experiência nessa área de atuação. Prescrições erradas e/ou desnecessárias e aplicações mal realizadas podem inutilizar o animal ou levá-lo à morte, além de comprometer a capacidade produtiva da serpente.

 

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Por Andréa Oliveira

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