Calagem do solo - principais recomendações

Por meio da calagem do solo, podem ser reduzidos a toxidez de alumínio e manganês, aumentar a atividade dos microrganismos, eliminar a deficiência de cálcio e magnésio, entre outros benefícios

O objetivo da calagem é corrigir a acidez característica dos solos. Foto: reprodução.

O solo é a parte superficial intemperizada não consolidada da crosta terrestre, que contém matéria orgânica e seres vivos. Ele faz a ligação entre a litosfera, a atmosfera e a biosfera, sofrendo muita influência de todos estes nas suas propriedades. É, no solo, que se desenvolvem os vegetais que obtêm, por meio das raízes, a água e os nutrientes. O solo é complexo e heterogêneo. Suas propriedades físicas, químicas e físico-químicas variam em pequenas distâncias verticais e horizontais. Dessa maneira, partes diferentes do sistema radicular estão localizadas em ambientes diferentes quanto ao pH (acidez), temperatura, potencial redox e pressão osmótica, sendo o crescimento das plantas uma resposta à soma dessas distintas condições.

Recomendações de calagem do solo

“Quando se interpreta uma análise de solo, primeiramente, deve ser verificada a necessidade ou não da calagem. O seu objetivo é corrigir a acidez característica dos solos”, afirmam os professores Luiz Inácio, Eurípedes Malavolta e Heitor Cantarella, do curso Análise de Solo e Recomendações de Calagem e Adubação, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas.

Efeitos benéficos da calagem

- Redução da toxidez de alumínio e manganês;
- Aumento da atividade dos microrganismos;
- Eliminação da deficiência de cálcio e magnésio;
- Aumento da fixação simbiótica de nitrogênio;
- Aumento da disponibilidade de fósforo e molibdênio.

Escolha do corretivo da acidez

Corretivo é todo produto que contenha substâncias capazes de corrigir uma ou mais características do solo, desfavoráveis às plantas. Podem ser corretivos de acidez, de alcalinidade, de salinidade e melhoradores ou condicionadores do solo. A tomada de decisão na escolha do corretivo mais adequado, sob os aspectos técnicos e econômicos, para uma dada propriedade, é um dos pontos mais importantes em um programa de calagem.

Entre os fatores que obrigatoriamente precisam ser considerados, destacam-se os seguintes:

- Poder de Neutralização (PN), calculado em função das percentagens de CaO e MgO;
- Granulometria (tamanho das partículas);
- Poder Relativo de Neutralização Total (PRNT);
- Preço posto na propriedade, incluindo custo por tonelada no moinho e custo por tonelada do transporte;

Garantias dos corretivos de acidez

- Poder de neutralizar (PN) maior ou igual a 67%;
- Teores de CaO + MgO maior ou igual a 38%;
- Que até 95% passe em peneira de 2mm; 70%, em peneira de 0,84 mm, e 50% a 55%, em peneira de 0,30 mm.

Reatividade do corretivo

Diz respeito à quantidade de corretivo, em porcentagem, que reage em um período de três meses em condições ideais de umidade. Para os calcários, foram determinadas as taxas de reatividade para as diferentes frações granulométricas. Na tabela X, encontram-se as taxas de reatividade das partículas adotadas pela legislação.

Portanto, dispondo-se da composição granulométrica de um corretivo, pode-se calcular sua reatividade pela fórmula:

RE (%) = %F10 -20 x 0,2 + %F20 - 50 x 0,6 + %F< 50 x 1

Cuidados importantes nas recomendações de calagem

a) Os métodos de recomendação partem do princípio de que a profundidade do calcário a ser utilizada será de 20cm. Quando esta utilização for diferente, para menor ou maior, será necessário aumentar ou reduzir a dose em proporção relativa, como mostra a seguir:

- Utilização a 10cm: dose recomendada x 0,5;
- Utilização a 30cm: dose recomendada x 1,5;
- Utilização a 40cm: dose recomendada x 2,0.

b) Quando o solo apresentar teores de magnésio adequados (acima de 0,8cmolc/dm3), pode-se utilizar um calcário calcítico, se este estiver mais barato ou mais fácil de ser encontrado. Caso contrário, a recomendação é em geral pelo calcário dolomítico (rico em magnésio).

c) Na aplicação do calcário, deve-se tomar o cuidado para que este fique de forma mais homogênea possível. Quando as doses forem maiores que 5t/ha, estas devem ser divididas em duas parcelas, metade aplicada antes da aração e metade antes da gradagem. Deve-se observar também o tempo e a umidade, pois as reações do calcário no solo dependem destes fatores. Caso a região seja muito seca, o tempo deverá ser maior que o normal. Sendo assim, deve-se planejar uma antecedência de, no mínimo, três meses em relação ao plantio. Caso não seja possível esta antecedência, utilizar corretivos com PRNT elevado (100% ou maiores).

d) A princípio, o investimento com a calagem pode parecer alto, porém os benefícios duram vários anos, em média cinco anos, e este ponto deve ser avaliado e considerado.

 

Super calagem

A quantidade de calcário a aplicar deve ser orientada por uma análise de solo para evitar aplicações desnecessárias. A super calagem é tão prejudicial quanto a acidez elevada e é de difícil correção, pois torna indisponíveis vários nutrientes como o fósforo, zinco e outros.

Gesso agrícola

O sulfato de cálcio (gesso) vem sendo usado como corretivo, pois reduz os teores de alumínio na superfície. Esta prática deve ser acompanhada com cuidado, pois o gesso promove não só a movimentação do Ca2 +, mas também do Mg2 + e do K+, deslocando-os da área de absorção das plantas. O uso do gesso deve ser acompanhado com outras fontes de (calcário) e com a orientação de um Engenheiro Agrônomo.

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Por Andréa Oliveira.

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