Borracha natural - crise no presente e esperança no futuro

Apesar da séria crise conjuntural do mercado da borracha, projeta-se a médio e longo prazos uma tendência favorável ao aumento

 

Todas as tendências apontam para uma situação de melhores preços na próxima década.

 

A borracha natural, extraída da seringueira (Hervea brasiliensis), é um dos principais produtos utilizados pela civilização moderna. A produção de borracha foi um grande negócio para o Brasil, fato que assegurou a riqueza da Amazônia, notadamente nos estados do Pará e Amazonas. A partir da Segunda Grande Guerra, o país passou da condição de exportador a importador de borracha, sendo que entre os anos de 1970 a 1996, a importação evoluiu de 14 para 82 mil toneladas de borracha natural.

Apesar dos incentivos governamentais para a expansão da heveicultura na citada região, o país não obteve bons resultados face a problemas fitossanitários e de infra-estrutura, salvo no Mato Grosso, nas áreas de escape à doença mal-das-folhas da seringueira (M. ulei), por haver um clima seco definido na ocasião da troca de folhas, período em que o fungo se manifesta sobre os folíolos novos apresentando uma ação mais danosa. Desse modo, coube aos Estados de São Paulo, Mato Grosso, Bahia, e Espírito Santo, a maior participação na produção nacional, que até o ano de 1986 era oriunda em grande parte dos seringais nativos da Amazônia, cuja exploração era sustentada através de um preço administrado pelo Governo Federal.

O consumo mundial de borracha natural é da ordem 6,3 milhões de t., sendo os Estados Unidos (16%,) a China (15%),  o Japão (11%),  a Índia  (9%) e  a Malásia (6%)  os principais consumidores, o Brasil tem uma demanda da ordem de 130 mil t. Nesse grupo, merece destaque a participação da China, que dobrou o seu consumo entre os anos de 1990 e 1996, e da Índia. A grande participação da Malásia deve-se ao rápido processo de industrialização que obteve na década de 1990, passando de exportador de matéria-prima beneficiada para exportador de produtos industrializados.

A produção de borracha natural é concentrada em três países do sudeste asiático que juntos detém 72% do mercado, sendo eles Tailândia (30%),  Indonésia (25%) e Malásia (17%). Há no presente um relativo equilíbrio entre a oferta e a demanda, com ligeira vantagem da demanda. Entretanto, por causa de uma situação conjuntural, decorrente das dificuldades econômicas enfrentadas pelos países do sudeste asiático, os quais foram levados a desvalorizar suas moedas em 70%, há uma queda do preço da borracha, que atingiu os valores mais baixos da história (em torno de US$ 0,56/kg FOB).

Considerando-se que o preço de importação é o valor básico pago pela indústria pelo produto interno, não é possível produzir borracha no Brasil sem a subvenção regulamentada pela lei citada. Em 1998, o Governo Federal destinou no orçamento apenas R$ 19 milhões para a subvenção, sendo que esses recursos foram liberados no mês de abril e se esgotaram no início de maio, fazendo com que todas as suplementações fossem conseguidas com muito sacrifício.

 

A produção de borracha foi um grande negócio para o Brasil.

 

Para o presente ano, os recursos continuam a ser insuficientes, sendo da ordem de R$ 40 milhões. A recente desvalorização cambial, a princípio, não beneficiará os preços da borracha no mercado interno, tendo em vista que as indústrias de pneumáticos não admitem onerar a matéria-prima sem a possibilidade de aumentar os preços dos seus produtos. Visando buscar maior competitividade, os produtores e usineiros têm procurado cumprir a sua parte com a adoção de técnicas que objetivam o aumento da produtividade dos seringais, da mão-de-obra, do processamento nas usinas e da redução da impactação ao meio ambiente.

Por meio de parcerias e de outras formas de participação na produção, os operários vêm obtendo condições mais dignas de sobrevivência. Apesar da séria crise conjuntural do mercado da borracha, projeta-se a médio e longo prazos uma tendência favorável ao aumento, tendo em vista que a queda de produção da Malásia não está sendo compensada suficientemente pelos incrementos da Tailândia, Indonésia, Vietnam e Índia. Há possibilidade de um leve aumento de produção nas Filipinas, mas sem afetar o mercado. A produção dos países africanos não apresenta uma tendência de incrementos significativos e há o inconveniente de que muitos desses seringais já estão com idade avançada, o que comprometerá a produção futura, se não forem renovadas as plantações.

Em vista dessas considerações, todas as tendências apontam para uma situação de melhores preços na próxima década. O incremento da demanda abre caminho para aumento da produção, sendo que, em nível mundial e do Brasil, isso pode ser conduzido através de programas de incentivo a pequenos produtores.

O curso sobre Cultivo de Seringueira, produzido pelo CPT - Centro de Produções Técnicas - em convênio com a CEPLAC e sob nossa coordenação técnica, veio em boa hora, mostrando aos interessados as técnicas que visam o aumento de produtividade dos seringais e da mão-de-obra.

Engº Agrônomo Adonias de Castro Virgens Filho
especialista em seringueiras, doutor do
Centro de Pesquisa do Cacau – CEPLAC/BA

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Comentários

edvaldo muller

31 de jan de 2015

Sou sangrador de seringueira a vinte sete anos seguidos, aqui na região de presidente prudente, em parapuã, precisamente, a vinte anos dou treinamento de mão de obra pra formar sangradores novos. Mas, após a crise da borracha vai se acentuar nos próximos anos, devido ao grande numero de novas arvores que entram em produção a cada ano, no Brasil sempre que se tem uma oferta maior de produto o preço de comercialização cai, isto somado a crise no exterior e a crise hídrica acentua ainda mais a crise no setor da borracha.

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