Agricultura, um modelo

A área plantada com as principais lavouras no Brasil é de 61 milhões de hectares, em números redondos. E ainda há terra para plantar!

A agricultura brasileira pode crescer no ritmo atual e até dobrar a produção em alguns anos sem pressionar o meio ambiente, violar florestas ou expulsar a pecuária. Há terra livre, há tecnologia, clima, insolação, recursos naturais e, acima de tudo, interesse do governo e do setor privado em atender à demanda interna e ao mercado internacional.

Não é apenas uma afirmação vazia, sem base. Ela se fundamenta em dados do IBGE, dos levantamentos de campo da Conab - Companhia Nacional de Abastecimento, dos bancos que financiam as safras e das grandes empresas, nacionais ou não, que operam no setor. Safras recordes. A produção de grãos no Brasil, ciclo 2009/2010, foi estimada em 146,7 milhões de toneladas, de acordo com o último anúncio, em oito de julho. Faltam apenas mais dois levantamentos e não há dúvida de que será mais uma safra recorde.

A atual foi 8,6% maior que a de 2008/2009, quando foram colhidas 135,13 milhões de toneladas. Vai dar para abastecer o mercado sem pressionar os preços. Como? Há terras para plantar. Muita, mas muita mesmo. O IBGE, não o Ministério da Agricultura, faz um acompanhamento sistemático da produção agrícola, conhecido como LPSA. O mais recente, em junho, constatou que a área plantada com as principais lavouras no Brasil é de 61 milhões de hectares, em números redondos.

E sabem quanto há de terra própria para a agricultura? O último levantamento do instituto, em 2006, informa que são 226 milhões de hectares. Mas tem a pecuária! Sim, de acordo com esse mesmo levantamento, ela ocupava 158 milhões de hectares. Ou seja, haveria ainda 60 milhões de hectares para plantar sem invadir florestas.

A produção de grãos no Brasil, ciclo 2009/2010, foi estimada em 146,7 milhões de toneladas. Não há dúvida de que será mais uma safra recorde.

A produção poderia mais que dobrar por dois motivos:

1)levantamento da Fundação Getulio Vargas, que consta de reportagem do colega Fernando Dantas, do Estado, de segunda-feira, 28 de julho revela que a produção agrícola vem aumentando mais do que a área plantada.
2)que a lavoura vem recuperando espaço perdido para a pecuária. Estão sendo plantados mais arroz, feijão, algodão e milho do que capim para os pastos invasivos.
Sei qual é a pergunta, agora: e as florestas? 98 milhões de hectares... Podem ficar tranquilos pois, se houver fiscalização eficiente, não é preciso derrubar nada. Tem mais: pela vivência do colunista na Amazônia, a maior parte da floresta quando derrubada, vira areião. O que há? Há financiamento oficial e do setor privado. O governo anunciou recursos recordes de R$ 100 bilhões para a safra atual. É ótimo, mas não é tudo.

Em média, a participação oficial no financiamento da agricultura é de 33% do que o setor precisa. O restante vem do setor privado. Na crise, ele se retraiu e a participação oficial deve ter chegado a 35%. Foi oportuna e confirma a tese defendida que o modelo agrícola no qual o setor privado predomina e o estado complementa é o melhor para o Brasil. Não só para a agricultura, para a indústria também. Há características próprias, sim, adaptáveis a cada setor.

O retorno na produção agrícola é mais rápido, um ano, em média, e o da indústria tem mais prazo de maturação. Mas não há dúvida de que o governo tem sido mais ágil e encontrado mais resposta na agricultura que na indústria. E o que falta? Infraestrutura: estradas, ferrovias, portos. Um leitor atencioso corrige e informa que, pelo menos no milho, nem toda a safra é comercializada pelo setor privado. Há os leilões da Conab. Registro e agradeço a correção. O leitor informa também algo incrível. Uma saca de milho negociada, sem Conab, por R$ 8, custa R$ 9 para ser transportada de Primavera, no leste de Mato Grosso, para o porto de Paranaguá. É a ausência do governo onde devia estar.

* Alberto Tamer

Artigo publicado em primeiro de agosto, no jornal O Estado de São Paulo

**Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do Portal de Informações do CPT - Centro de Produções Técnicas. O Portal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações.

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