Doenças nos peixes ornamentais

Conheça as enfermidades mais comuns que acometem os peixes de aquário

Uma adequada alimentação e a uma água de boa qualidade (pH, oxigênio, temperatura, entre outros) minimizam o aparecimento de doenças nos peixes ornamentais.

Uma adequada alimentação e uma água de boa qualidade (pH, oxigênio, temperatura, entre outros) minimizam o aparecimento de doenças nos peixes ornamentais.

Diversas enfermidades acometem os peixes ornamentais e podem, em certos casos, chegar a matar grande parte do plantel, provocando um enorme prejuízo. Na criação de peixes ornamentais, deve-se tomar um cuidado especial pois, em função do manejo frequente, os peixes tornam-se mais susceptíveis às doenças por causa do estresse e de possíveis ferimentos associados à perda do muco protetor.

O muco protetor protege o peixe, principalmente, do ataque de fungos. O peixe com fungo apresenta manchas com aspecto de algodão. Essas manchas são colônias de fungos e podem ter coloração branca, esverdeada, amarelada ou de outra cor, dependendo do tipo de fungo que está causando a infestação.

Infelizmente, porém, os fungos não são o único problema nas criações de peixes ornamentais. As doenças também podem ser causadas por bactérias, vírus e protozoários, além das infestações parasitárias mais desenvolvidas (vermes, crustáceos, entre outros).

Dentre as doenças causadas por bactérias, podemos citar a ascite infecciosa (hidropisia), furunculose, mixobacteriose e a necrose das nadadeiras. Essas doenças se espalham rapidamente entre os peixes de um mesmo tanque ou caixa, e são de difícil cura, pois para isso o piscicultor necessita de aplicar antibióticos cujo custo, associado ao grande volume de água, torna o seu uso impraticável na maioria dos casos.

A hidropisia é uma doença que não é muito contagiosa, porém quando ocorre em estágio muito avançado não há cura. Ela é causada pela bactéria chamada Pseudomonas punctata.

Nesta doença, o corpo do peixe incha e com isso suas escamas ficam arrepiadas (em pé). A família de peixes mais atacadas pelo hidropisia é a Anabantídeos (colisas e betas).

Em relação às doenças, as mais comuns são o íctio e o veludo, e um peixe atacado por estas, transmite para todos os outros do aquário ou tanque.

O íctio é a doença causada por protozoários que mais frequentemente é observada nos criatórios de peixes ornamentais. O peixe contaminado apresenta pontos brancos que na realidade são as feridas provocadas pelos parasitas, e aparecem mais visíveis nas nadadeiras, quando não tratadas passa para todo o corpo, podendo matar o peixe; nesta fase, o parasita já produziu esporos (ovos) e contaminou vários outros peixes. É preciso ter cuidado, pois o parasita que está no peixe é levado a outros tanques, independente de ir com água.

Em geral, animais bem nutridos, sem ferimentos e em temperatura acima de 20ºC, são mais resistentes. Para combater esses parasitas, eleve a temperatura do aquário ou tanque, pois isto fará com que os cistos se desenvolvam mais rapidamente e saiam do peixe para o fundo do aquário para se reproduzirem. Neste momento, aplique o remédio clássico para esta doença, que é o azul de metileno e o verde malaquita, assim eles serão eliminados.

Nos aquários ou em caixas pequenas (até 1.000 L) o tratamento é barato e eficaz; em tanques ou caixas maiores, deve-se suspender a alimentação e aumentar a circulação da água para que o peixe tenha mais chance de combater a doença.

Ao utilizar o remédio, observe a bula e siga as orientações do fabricante, pois este produto pode prejudicar as plantas no aquário ou tanque.

Já o veludo é uma doença contagiosa semelhante ao íctio. Os parasitas são minúsculos e o peixe atacado parece recoberto com grãos de pólen. O procedimento é o mesmo para o íctio, eleve a temperatura da água e utilize o azul de metileno. Não esquecendo de seguir as instruções do fabricante.

No caso dos tanques com plantas, deixe-os sem peixe por algumas semanas, assim, os parasitas não terão o que comer, levando-os a morte.

A girodactilose, doença causada por vermes do gênero Gyrodactylus e a dactilogirose, causada pelo Dactylogyrus são comuns nas criações de peixes ornamentais. Vários aquaristas utilizam soluções de formol para combater estes vermes.

Atualmente, a doença que vem causando maior prejuízo nas criações de peixes ornamentais é a lérnia. Essa doença era considerada inexistente na América do Sul, porém, na década de oitenta, ela foi observada em criações de carpa comum, possivelmente o parasita tenha vindo para o Brasil junto com importações de carpas provenientes da Europa. Hoje, essa doença já está espalhada pela maioria dos centros produtores de peixes.

A lérnia que se observa aderida aos peixes é a fêmea adulta do copépoda Laernaea cyprinacea que provoca hemorragia, inflamação e necrose no local onde se fixa ao peixe.

Para tratamento é indicado que se extraia o parasita, atentando para saída da cabeça. Após a retirada, trate o local com antissépticos. Geralmente, os peixes não chegam a morrer, mas ficam debilitados e não podem ser comercializados.

O controle deste parasita é feito com o uso de inseticidas (Neguvon, Dipterex, entre outros), porém, em algumas criações, já se observa resistência do parasita ao inseticida.

Uma prática de manejo que ajuda a reduzir o problema é trocar os peixes para outro tanque a cada trinta dias, separando os animais que apresentam o parasita e tratando-os em uma caixa. Os tanques devem secar totalmente e serem novamente preparados para outro lote de peixes, de preferência espécies mais resistentes como os acarás e outros ciclídeos.

Como regra geral, é mais fácil e, principalmente, é mais barato prevenir doenças do que curá-las. As principais medidas preventivas são:

- manter todos os peixes que forem adquiridos em um aquário ou tanque para observação por um período mínimo de trinta dias;

- a água a ser utilizada na piscicultura deve passar por um filtro;

- os tanques não devem possuir comunicação ou receberem água proveniente de outro tanque de cultivo;

- ao perceber que utilizou redes ou puçás em tanques que apresentam animais doentes, estes utensílios devem ser desinfetados em uma solução de 10 g de permanganato de potássio e 500 g de sal grosso para 100 L de água, e a seguir, lavados em água corrente; e

- os peixes após o manuseio devem passar por um banho de dois minutos em uma solução de 30 g de sal grosso para cada litro de água, no caso de animais que foram feridos, pode-se utilizar terramicina em spray sobre a área lesada e colocá-los em uma caixa por uma semana para tratamento, caso necessário.

Esses procedimentos associados a uma adequada alimentação e a uma água de boa qualidade (pH, oxigênio, temperatura, entre outros) minimizam o aparecimento de doenças. Existem inúmeras outras doenças que podem atacar seu plantel.

 

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